Sorte no Amor é uma tentativa (mais uma) de fazer algo no estilo de Sex and the City, contando com uma das roteiristas da série. Lindsay tenta deixar de lado sua persona teen interpretando uma relações públicas que tem muita sorte. Mas não é uma sorte qualquer. Os táxis abundam na rua quando ela sai de casa, ela encontra uma nota de dinheiro jogada no chão, chega um elevador no momento que ela entra no lobby e, antes de chegar no quinto andar, conhece um rapaz rico e bonito que a convida para sair. E isso é só o começo, pois acaba de ganhar a conta mais importante da agência, para organizar uma megafesta de um produtor musical. E, claro, o evento será sucesso.
Com bem menos sorte, está Jake Hardin (Chris Pine), que sonha em ser produtor de uma banda de rock, mas é atrapalhado demais para ficar longe de encrencas por cinco minutos. Seus ‘clientes’ são a banda inglesa McFly (numa jogada de merchandising, uma banda inglesa de verdade que fez sucesso na Inglaterra e agora tenta o sucesso nos EUA – mas eles também vão precisar de mais sorte, ou de um filme melhor). O rapaz faz de tudo para entregar um CD demo ao produtor da gravadora para quem a personagem de Lindsay, Ashley, está organizando a festa.
Eis a festa. A chance perfeita para Jake entregar o CD. Porém, antes disso, ele dá um beijo em Ashley e eles trocam suas sortes. Tudo começa a dar errado para ela e ele tem uma ascensão meteórica. Aquele tipo de coisa que só acontece em Hollywood. Aliás, a própria Lindsay fez algo parecido – quando troca de corpo com a mãe em Uma Sexta-Feira Muito Louca. Porém, não existe mais o fator fofura, ela não é mais adolescente, quer se passar por adulta e as situações ficam cada vez mais sem graça.
Ela tem, por exemplo, duas amigas solteironas – do tipo que só existem em filmes – que tentam ajudá-la quando fica sem sorte, chegando a acolhê-la quando ela, involuntariamente, destrói o apartamento das garotas. Os garotos do McFly também parecem não saber o que estão fazendo do outro lado do Atlântico, e não apenas por causa do sotaque esnobe deles.
Sorte no Amor bate na surrada tecla que diz que as pessoas precisam se despojar dos valores materiais para encontrar o amor de verdade. Lindsay entra de cabeça nesse mantra e não tem pudor de fazer comédia pastelão, com direito a encontrão em porta de vidro e banho de lama. Ela já tinha provado talento em filmes como Operação Cupido e Meninas Malvadas. Não seria nada ruim vê-la fazendo um filme de verdade, no qual pudesse mostrar a que veio. Talento ela tem, talvez só falte um pouco de sorte.
