04/06/2026
Comédia

El Favor

Roberta (Victoria Onetto) e Mora (Bernarda Pagés) formam um feliz casal de lésbicas. Mas, em sua vida, falta uma coisa: um filho. Então, Roberta decide procurar convencer o próprio irmão, Felipe (Javier Lombardo) a engravidar sua parceira.

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Está aqui um filme que, sozinho, ameaça abalar todo o bom conceito acumulado pelo bom cinema argentino exibido no Brasil, este da autoria de cineastas como Pablo Trapero, Daniel Burman e Lucrecia Martel. A comédia do estreante Pablo Sofovich transpira uma baixaria impressionante, até para um país como o nosso, acostumado aos descerebrados programas cômicos da TV nacional. A partir de um roteiro de Martín Greco, conta-se a história de um feliz casal de jovens lésbicas, Roberta (Victoria Onetto) e Mora (Bernarda Pagés), que desejam a todo custo ter um filho. Para isso, Roberta inventa uma complicada solução: convencer seu próprio irmão, Felipe (Javier Lombardo), a engravidar Mora.

O imbroglio começa com a chegada de Felipe, de visita à irmã, mas esperando sua noiva, Faustina (Mariana Briski), que ele quase não vê, e também um homem de quem espera tornar-se sócio. No desenrolar da história, não há um único clichê primário de que se procure escapar. O irmão é um conquistador latino na meia-idade, sua noiva, uma bobona, as duas donas da casa são bem-resolvidas e assumidas, mas não sabem trocar uma lâmpada nem consertar o som. Quanta originalidade.

Vários detalhes deixam claro que Sofovich está atacado pela síndrome “quero ser Almodóvar” – ou seja, recorre a uma história com homossexuais, cenografia em tons fortes e até muitos calmantes no drinque da noite (imitando situação semelhante, em torno do gaspacho de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos). Mas ser Almodóvar, um dos maiores cineastas modernos, não consiste em seguir os passos de uma cartilha. El Favor não passa de um pastiche arrastado, do pior mau gosto, que até parece mais, muito mais longo do que é. Esse tipo de humor ninguém precisa nem merece.

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