O imbroglio começa com a chegada de Felipe, de visita à irmã, mas esperando sua noiva, Faustina (Mariana Briski), que ele quase não vê, e também um homem de quem espera tornar-se sócio. No desenrolar da história, não há um único clichê primário de que se procure escapar. O irmão é um conquistador latino na meia-idade, sua noiva, uma bobona, as duas donas da casa são bem-resolvidas e assumidas, mas não sabem trocar uma lâmpada nem consertar o som. Quanta originalidade.
Vários detalhes deixam claro que Sofovich está atacado pela síndrome “quero ser Almodóvar” – ou seja, recorre a uma história com homossexuais, cenografia em tons fortes e até muitos calmantes no drinque da noite (imitando situação semelhante, em torno do gaspacho de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos). Mas ser Almodóvar, um dos maiores cineastas modernos, não consiste em seguir os passos de uma cartilha. El Favor não passa de um pastiche arrastado, do pior mau gosto, que até parece mais, muito mais longo do que é. Esse tipo de humor ninguém precisa nem merece.
