03/06/2026
Suspense Policial

Eleição - O Submundo do Poder

Chega o momento de escolher o novo chefe da organização criminosa Wo Shing, a maior de Hong Kong. A entidade costuma realizar uma eleição, consultando seus membros. Mas o equilíbrio se perde quando um dos competidores, Big D, é derrotado e se recusa a aceitar, declarando guerra.

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O experiente diretor de filmes de ação de Hong Kong, Johnny To, realiza aqui o seu O Poderoso Chefão. Trata-se de uma sinistra radiografia dos bastidores de uma disputa de poder dentro dos quadros da maior tríade de Hong Kong, a Wo Shing, que conta com 50.000 membros.

Nesta tríade, como nas demais da cidade, não resta qualquer sinal de sua antiga origem patriótica, quando estas organizações representavam a resistência chinesa contra invasores estrangeiros. Hoje todas elas estão reduzidas a temíveis máfias em sentido literal. O diferencial da Wo Shing é que, a cada dois anos, realiza uma eleição para apontar seu novo líder.

A aparência de democracia é uma notória farsa. Um dos candidatos, Big D (Tony Leung Ka Fai), distribui propinas a torto e direito aos eleitores. Enquanto isso, o trio de conselheiros mais velhos que comanda a organização é quem realmente dá a última palavra sobre o nome do novo chefe. Quando Lok (Simon Yam) é o escolhido, o frustrado D parte para a vingança. Encaixota alguns inimigos e manda ladeira abaixo. E declara guerra dentro da Wo Shing, ao mesmo tempo em que a polícia começa prender membros da organização.

Um aspecto original desta produção, que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2005, é a maneira como controla a violência explícita que é tão óbvia nos filmes do gênero. Aqui, não. Revólveres custam a aparecer.A impiedade dos gângsters se revela em seus jogos de guerra, em tramóias astuciosas, ameaças, despistes. Haverá um momento em que, é claro, toda essa violência represada terá de explodir, na luta pela conquista do bastão, cuja posse por tradição garante o poder do primeiro mandatário da Wo Shing. Mas até ali, tudo será contido, subterrâneo.

A presença da polícia não evidencia qualquer luta da lei e do bem contra o mal, como nos glamourizados seriados policiais norte-americanos. Crimonosos ou policiais, todos são peões do mesmo jogo. Há um poder que controla a sociedade e nenhum dos lados quer romper este equilíbrio tão cínico quanto precário.

Eleição – O Submundo do Poder é uma visão um tanto fatalista do poder como ratoeira. Permite até ser lido como uma metáfora para outras instâncias de poder, como a política, o mundo do esporte, o setor financeiro. E, com certeza, não parece muito otimista quanto a nada disto. Na visão seca de To, o idealismo, se existe, mora em outro lugar.

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