06/06/2026
Romance Drama

Sombras do Passado

Ravi e Masha se conhecem quando crianças na mesma fábrica onde trabalham. Com o tempo, ele consegue comprar a liberdade da garota, mas não a dele. Anos depois, livre, ele vai em busca dela em Calcutá, mas o destino se encarrega de dificultar a união dos dois.

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Se Douglas Sirks tivesse trabalhado em Bollywood, teria feito Sombras do Passado. É preciso embarcar numa dose cavalar de romantismo e deixar de lado todo o cinismo do mundo para poder apreciar esse melodrama, escrito e dirigido pelo alemão Florian Gallenberger, que tem um visível encanto pela Índia da primeira metade do século. Mas nem todo mundo é obrigado a partilhar desse gosto – e, para esses, os encontros e desencontros do longa mais vão parecer novelão mexicano.

Sombras do Passado fala exatamente das idas e vindas de um casal que, por diversos motivos, não consegue concretizar o seu amor iniciado na infância, quando eram explorados na mesma fábrica – com cenas dignas de um Oliver Twist. Depois que ele consegue comprar a liberdade da menina, os dois prometem se encontrar quando ele conseguir libertar a si mesmo. Para não se perderem, inventam uma estratégia.

Os anos passam, e quando o rapaz Ravi finalmente está livre, sua amada Masha é agora uma prostituta no distrito da luz vermelha em Calcutá. O destino, como é de costume nos melodramas, se encarregará de unir, separar, reunir, re-separar a dupla ao longo dos anos. Até o final óbvio.

Do seu destino óbvio também não consegue fugir o diretor e roteirista. Diante da Índia e dos indianos, mantém a visão deslumbrada do europeu que fotografa com reverência o exotismo cultural e religioso do país. A romantização da opressão de um povo pobre só colabora para piorar o filme. A trilha sonora grandiloqüente, pegajosa e incessante de Gert Wilden Jr. só dificulta a já penosa experiência de ver esse filme.

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