O longa dirigido por Gary Winick (De Repente 30) explora a inusitada amizade entre animais de uma fazenda para salvar um filhote de leitão que deve ser abatido. Quem mais acredita no potencial do porco é a aranha Charlotte, que começa a tecer teias com mensagens avisando os humanos da importância do animal.
Para o leitão Wilbur, Charlotte é mais do que uma amiga, é uma professora, uma mentora intelectual que pode introduzi-lo num mundo mais sofisticado. A aranha é mesmo um ser superior aos demais animais da fazenda, mas nem por isso é esnobe ou exibida, pelo contrário. A sua sabedoria torna-a uma criatura nobre, capaz de se sacrificar pela causa alheia.
O que há de mais ousado no filme é a opção por não fazer concessões, mantendo uma certa fidelidade à história original. Por isso, A Menina e o Porquinho acompanha o ciclo da vida, assim como o ciclo da natureza e suas estações. Se no final das contas há uma certa melancolia é porque a vida é assim mesmo, mas também o o início de um novo ciclo, mantendo-se um tom de esperança.
Winick captura as nuances da obra de White, com seu humor e generosidade. As criaturas, embora na fronteira entre humanos e animais, nunca são bizarras e têm personalidades marcantes e verossímeis. Na versão original, celebridades emprestam suas vozes, como Robert Redford (que dubla o cavalo) e a apresentadora Oprah Winfrey (que é uma gansa). Já Charlotte é dublada por uma das maiores celebridades da atualidade, Julia Roberts.
Não deixa de ser curioso um elenco de tantas estrelas num filme em que o subtexto é a fabricação de celebridades instantâneas. É exatamente isso o que acontece com o porco Wilbur, que graças à habilidade de Charlotte se torna famoso.
A animação, combinada com atores e cenários reais, é de primeira. Tanto que a aranha Charlotte e o rato Templeton parecem de verdade. Já o elenco de humanos é liderado por Dakota Fanning, mostrando que já está na hora de crescer e partir para papéis menos infantis.
A Menina e o Porquinho tem a vibração certa para agradar platéias infanto-juvenis. O colorido é marcante, a história tem apelos interessantes e uma boa lição. Tudo isso eleva o filme bem acima da média num gênero em que muito pouco se destaca.
