Desajeitados e acéfalos, eles se tornam títeres perfeitos nas mãos de roteiristas talentosos e humorados, como o inglês Edgar Wright , que os ridicularizou no excelente Todo Mundo Quase Morto (2004). Desta vez, a paródia vem do Canadá, com Andrew Currie, que assina e dirige Fido, o Mascote.
Nesta nova produção, Currie debocha de tudo e faz críticas veladas de forma torrencial, em que apatia, preconceito, consumismo e a ética da ciência são apenas alguns assuntos. Tudo, claro, de forma muito divertida e simples, para não rivalizar com as piadas. Dar exemplos, aqui, seria estragar a possível satisfação do espectador.
O que pode ser dito é que o enredo é engenhoso. Após uma catástrofe expor as pessoas a poeira nuclear, os mortos-vivos aparecem como uma praga. Com o passar dos anos, no entanto, uma empresa chamada Zomcon coloca à venda uma espécie de coleira capaz de domesticar os zumbis. Como objeto de consumo instantâneo, os moradores de um condomínio americano passam a ostentar seu próprio morto-vivo de estimação.
Eles passam a fazer parte da criadagem, sem reclamar, sem fazer barulho, sem processar. Na família de Bill Robinson (Dylan Baker, de Réquiem para um Sonho), extraordinariamente, a criatura é ainda mais importante. Nesse caso, o fato de seu próprio pai ser um impecável chato, torna o zumbi Fido (Billy Connolly, de Sua Majestade, Mrs. Brown) a melhor companhia para o filho Timmy (K'Sun Ray) e a esposa (Carrie-Anne Moss, de Matrix).
Como se isso não bastasse, Fido perde o controle e ataca uma vizinha, que morre e dá origem a uma série de situações hilariantes. É importante dizer, no entanto, que o desenrolar dos conflitos se prende a piadas prontas que se tornam cansativas. Mesmo assim, Currie acerta e faz de Fido, o Mascote uma competente comédia.
