No centro da trama, está uma repórter meio burra, ou que, pelo menos, não aparenta ter muita massa cinzenta na cabeça, e seu cinegrafista. Ela se chama Ângela Vidal e é interpretada por Manuela Velasco; ele é Pablo, por sua vez interpretado pelo diretor de fotografia do filme, Pablo Rosso, que nunca aparece em frente à câmera, fica o tempo todo fazendo as imagens.
Eles trabalham num programa que desvenda o trabalho de profissionais noturnos, que exercem suas atividades enquanto a maioria das pessoas dorme. No programa da vez, a dupla passará uma noite no quartel de bombeiros, onde são avisados pelos rapazes de que, ao contrário do que muita gente pensa, a profissão não é tão empolgante quanto aparenta – a maioria dos chamados envolve amenidades, com resgatar gatinhos de árvores.
Ao contrário da expectativa, essa noite será agitada, quando o grupo – acompanhado da minúscula equipe de televisão – é chamado para um prédio onde acontecem coisas estranhas. Por “estranho”, entenda-se pessoas transformando-se em zumbis. Assim, segue REC, com um grupo fechado dentro de um prédio de classe média tentando se livrar das criaturas e salvar as suas vidas, depois que as autoridades resolveram isolar o local – ninguém entra, ninguém sai.
Dirigido a quatro mãos por Paco Plaza e Jaume Balagueró, REC bebe na fonte não só de A Bruxa de Blair como dos já clássicos filmes de zumbis de George Romero. A diferença é que aqui os espanhóis removem qualquer conteúdo político – detalhe que elevava os pesadelos do diretor de A Noite dos Mortos-Vivos (68) a outro patamar.
REC não tem maiores intenções do que dar sustos nos atores/personagens e no público. As platéias, aliás, parecem ávidas por esse tipo de produto que aparece e desaparece com a mesma rapidez, sem grandes variações. Por isso mesmo, o sucesso do filme espanhol não passou batido. Já ganhou um remake norte-americano, chamado Quarantine, que deve estrear no Brasil em 2009.
