19/07/2026
Drama Ação

Besouro

Na década de 1920, um rapaz se torna um dos maiores capoeiristas de todos os tempos. Seu estilo ágil e seus saltos inacreditáveis rendem-lhe o apelido de Besouro.

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Dirigido pelo consagrado publicitário João Daniel Tikhomiroff, Besouro é uma dessas produções despertam interesse assim que são anunciadas. Além de falar de um personagem histórico brasileiro, ainda seria um atrativo filme de ação, com direito a coreografias de luta elaboradas por Huen Chiu Ku, responsável pelas acrobacias vistas em Kill Bill e O Tigre e o Dragão.

No entanto, Tikhomiroff, que possui 46 Leões do Festival de Publicidade de Cannes em sua estante, faz um filme belo, mas sem substância ou profundidade. Apesar dos esforços do elenco, que foi recrutado entre capoeiristas não-atores, e do bom argumento, extraído do livro Feijoada no Paraíso, de Marco Carvalho, a narrativa deixa a desejar.

A produção traz às telas a história do capoeirista Manoel Henrique Pereira, que assumiu o nome de Besouro, com o qual ficou lendário no Recôncavo Baiano na década de 1920. Em meio à luta negra após o fim da escravidão, ele se destacou como um dos grandes ícones da resistência, graças ao seu trabalho de combate à exploração da mão-de-obra de ex-escravos.

Besouro mostra o nascimento do mito e como as batalhas que empreendeu contra os coronéis da época foram decisivas para o ideal de capoeirista miraculoso, que podia até voar. Aqui, ele luta contra o coronel Venâncio (Flavio Rocha, da minissérie A Pedra do Reino), que manda matar Mestre Alípio (Macalé), tutor de Besouro (Ailton Carmo).

Em meio à guerra, há também outro conflito dramático: o triângulo amoroso formado por Besouro, Dinorah (Jessica Barbosa) e Quero-quero (Anderson Santos). Os três são amigos de infância, mas a disputa entre eles levará a um desfecho que envolve todos os personagens.

Filmado nas belíssimas paisagens da Chapada Diamantina, na Bahia, o filme é bem produzido, mas não tem ritmo para um filme de ação. São de se estranhar os equívocos de montagem e execução, vindo de um dos profissionais que mais entende do tema, Tikhomiroff.

Pela falta de profundidade do roteiro, no fim da projeção, sobra muito pouco de Besouro. Destaque-se, no entanto, a excelente trilha sonora, principalmente Cordão de Ouro, interpretada pela banda Nação Zumbi.

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