O último segmento da trilogia Rua do Medo, que leva o subtítulo 1666: Parte 3, volta exatamente onde a série começou, em 1994, depois de revelar a história da bruxa Sarah Fier, que assombrou e matou personagens nos dois longas anteriores. A conclusão prometia ser épica, mas a diretora Leigh Janiak chega à conclusão do seu projeto de maneira quase anticlimática, unindo todas as pontas possíveis, explicando tudo para que não fiquei nenhuma dúvida e deixando o gancho para mais uma continuação – ou continuações.
Rua do Medo, livremente inspirado nos livros de R. L. Stine, prometia muito: a reinvenção do gênero a partir de elementos clássicos, contando uma história intergeneracional de horror e sangue em cronologia reversa, até chegar à origem de tudo. De uma maneira ou outra, Janiak cumpriu o prometido mas, ainda assim, muito parecia já visto, reciclando velhos clichês mais do que os reinventando. As atuações, especialmente no primeiro capítulo, são medianas, e a duração – em especial deste último, com quase 2 horas – excessiva.
Ao final do Rua do Medo: 1978 – Parte 2, os protagonistas Deena (Kiana Madeira) e seu irmão, Josh (Benjamin Flores Jr.), pretendem devolver a mão arrancada ao esqueleto da bruxa Sarah Fier, o que supostamente, acabará com a maldição que ronda Shadyside. Além disso, o ato também libertaria Sam (Olivia Scott Welch), a namorada de Deena, possuída pelo demônio.
Quando Deena consegue juntar a mão ao cadáver, ela é transportada para 1666, quando toda a maldição começou, e descobre o destino de Sarah Fier. Atores e atrizes do primeiro filme reaparecem como aldeões e aldeãs responsáveis pelo que aconteceu com a moça – aqui, interpretada por Madeira, enquanto a amante de Sarah é feita por Welch. O local ainda não é dividido entre Shadyside e Sunnyvale.
A primeira metade deste terceiro filme se mantém segura – embora, às vezes, pareça querer tomar emprestado elementos de A Bruxa. Janiak acompanha o cotidiano da comunidade puritana, repleta de hipocrisia, preconceitos e ódios. Depois de conhecido o destino de Sarah Fier, o longa retoma a Parte 1, de 1994, quando Deena volta ao seu corpo, agora com o conhecimento para deter o mal que assombra Shadyside.
Ao fim, a trilogia teve alguns acertos e erros, não reinventou o gênero, nem trouxe um fôlego novo, como prometeu, e tornou-se apenas mais um produto da Netflix, nada memorável – assistível, sim, mas também facilmente esquecível.
