04/06/2026
Comédia

L.O.C.A. - Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor

Manuela é um jornalista que vive uma relação tóxica com seu professor. No trabalho, numa revista feminina, seu editor não se interessa em reportagens sobre problemas reais das mulheres. Cansada de tudo isso, ela encontra apoio e novas amigas, num grupo de ajudar chamado de Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor.

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L.O.C.A. – Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor é um filme paradoxal. Ao mesmo tempo que é incapaz de desviar de qualquer clichê em seu caminho, tem um conteúdo que ressalta o empoderamento feminino – meio que por vias tortas, mas ressalta. Como comédia, o longa escrito e dirigido por Claudia Jouvin, vale-se de todos os elementos usados à exaustão no subgênero da comédia de costumes, adicionando um comentário social.
 
A questão é que o longa precisa, em primeiro lugar, ressaltar o clichê da mulher doida (essencialmente por amor) para, depois, o desconstruir. Tudo é feito num ritmo frenético, sem aprofundamento de personagens e situações, o que resulta em momentos exagerados e gratuitos, sem muita graça. O trio de protagonistas, as mulheres “obsessivas compulsivas por amor” é interpretado por Mariana Ximenes, Debora Lamm e Roberta Rodrigues – com destaque para as duas últimas muito bem em seus personagens.
 
Ximenes faz seu papel no piloto automático, como a jornalista Manuela, que tem um caso com seu orientador de mestrado, Carlos (Fabio Assunção), que não quer assumir a relação. É um tanto impressionante como o filme consegue passar longe da realidade tanto do jornalismo como de uma pós-graduação – mas isso é apenas um detalhe. Ela trabalha numa revista feminina, editada por um homem, Estevão  (Otávio Muller), que insiste (ora veja!) nos clichês sobre mulheres para estampar a capa e rechear as páginas da publicação. A repórter está cansada disso.
 
Sua mais nova pauta é uma espécie de grupo de ajuda, formado por mulheres que amam demais. A ideia de Manuela é trazer um olhar menos estereotipado sobre elas, mas, por ordem do editor, é obrigada a mudar sua abordagem. Lá ela conhece Elena (Lamm), que foi fechada para fora de casa por seu namorado (Luis Miranda), que trocou as fechaduras, e Rebeca (Rodrigues), uma mulher forte e descolada que foi trocada por outra mais jovem.
 
O trio tenta, com ajuda mútua, vingar-se de seus ex-namorados, e também fortalecer-se e reconstruir suas vidas. Há situações estapafúrdias que são permitidas numa comédia – como Manuela ficar presa numa árvore e precisar da ajuda e bombeiros para descer –, mas que nunca parecem obter o efeito cômico desejado. L.O.C.A. acerta em seu retrato de relacionamentos tóxicos, mas nem sempre faz a melhor escolha para transmitir o que quer dizer. Ao fim, ao desconstruir alguns estereótipos, acaba reforçando outros – como o de que uma mulher nunca é completa sem um homem.
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