L.O.C.A. – Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor é um filme paradoxal. Ao mesmo tempo que é incapaz de desviar de qualquer clichê em seu caminho, tem um conteúdo que ressalta o empoderamento feminino – meio que por vias tortas, mas ressalta. Como comédia, o longa escrito e dirigido por Claudia Jouvin, vale-se de todos os elementos usados à exaustão no subgênero da comédia de costumes, adicionando um comentário social.
A questão é que o longa precisa, em primeiro lugar, ressaltar o clichê da mulher doida (essencialmente por amor) para, depois, o desconstruir. Tudo é feito num ritmo frenético, sem aprofundamento de personagens e situações, o que resulta em momentos exagerados e gratuitos, sem muita graça. O trio de protagonistas, as mulheres “obsessivas compulsivas por amor” é interpretado por Mariana Ximenes, Debora Lamm e Roberta Rodrigues – com destaque para as duas últimas muito bem em seus personagens.
Ximenes faz seu papel no piloto automático, como a jornalista Manuela, que tem um caso com seu orientador de mestrado, Carlos (Fabio Assunção), que não quer assumir a relação. É um tanto impressionante como o filme consegue passar longe da realidade tanto do jornalismo como de uma pós-graduação – mas isso é apenas um detalhe. Ela trabalha numa revista feminina, editada por um homem, Estevão (Otávio Muller), que insiste (ora veja!) nos clichês sobre mulheres para estampar a capa e rechear as páginas da publicação. A repórter está cansada disso.
Sua mais nova pauta é uma espécie de grupo de ajuda, formado por mulheres que amam demais. A ideia de Manuela é trazer um olhar menos estereotipado sobre elas, mas, por ordem do editor, é obrigada a mudar sua abordagem. Lá ela conhece Elena (Lamm), que foi fechada para fora de casa por seu namorado (Luis Miranda), que trocou as fechaduras, e Rebeca (Rodrigues), uma mulher forte e descolada que foi trocada por outra mais jovem.
O trio tenta, com ajuda mútua, vingar-se de seus ex-namorados, e também fortalecer-se e reconstruir suas vidas. Há situações estapafúrdias que são permitidas numa comédia – como Manuela ficar presa numa árvore e precisar da ajuda e bombeiros para descer –, mas que nunca parecem obter o efeito cômico desejado. L.O.C.A. acerta em seu retrato de relacionamentos tóxicos, mas nem sempre faz a melhor escolha para transmitir o que quer dizer. Ao fim, ao desconstruir alguns estereótipos, acaba reforçando outros – como o de que uma mulher nunca é completa sem um homem.
