Com seu Oscar de Melhor Atriz por Os Olhos de Tammy Faye, Jessica Chastain entra para a lista de atrizes que esconderam sua beleza debaixo de maquiagem pesada e (ou seria para) ganham o prêmio – como, nos últimos anos Charlize Theron, por Monster – Desejo Assassino, e Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino ao Amor. Não que Jessica precisasse passar por isso, mas a maquiagem pesada também é uma marca registrada da personagem que ela interpreta, a tele-evangelista e cantora Tammy Faye Bakker Messner.
Tammy Faye fez sucesso entre os anos de 1970 e 1980, quando comandava um programa evangélico de sucesso, ao lado de seu marido, Jim Bakker (Andrew Garfield). Ela se transformou numa espécie de estrela da televisão, com sua fanbase se expandindo, inclusive para além do público-alvo. Era também uma figura polêmica, apoiando a comunidade LGBT e as vítimas da AIDS, num mundo em que esses grupos eram ainda mais demonizados, nos EUA governado por Ronald Reagan.
Dirigido por Michael Showalter, o filme parte do excelente documentário homônimo de Fenton Bailey e Randy Barbato, de 2000, que inclusive representou uma espécie de ressurreição para Tammy Faye, morta em 2007. A história do casal é repleta de altos e baixos, fama e decadência, que o longa conta de maneira cronológica e sem muita ousadia – embora, a seu modo, a biografada aqui tenha seus momentos um tanto audaciosos.
Os Olhos de Tammy Faye dá uma piscadela para a estética exagerada, colorida e um tanto cafona que a evangelista adotou para a vida, mas o filme nunca assume esse lado em sua forma – teria muito a ganhar se perdesse o pudor e a sisudez com a qual encara sua personagem. Ao mesmo tempo, também, não investe em suas contradições, como a ganância – o peso cai todo sobre Jim Bakker, que além de fraudar dinheiro recebido em caridade, envolveu-se num escândalo sexual que custou sua carreira e a da mulher por tabela.
Como é comum nas biografias hollywoodianas, Os Olhos de Tammy Faye preza por um realismo que aproxima fisicamente das personagens reais. Mais do que reinventar essa figura tão carismática quanto controversa, o longa apenas a recria, mas também conta com uma performance bastante sincera que busca o que havia de mais humano nessa mulher, por baixo de tanta maquiagem.
