Pela segunda vez no mesmo ano, alguém faz um filme que se refere a Quanto Mais Quente Melhor (1959). Depois de Connie e Carla - As Rainhas da Noite, aquela comédia estrelada por Nia Vardalos (Casamento Grego) que quase ninguém viu, vem As Branquelas, uma comédia ultra politicamente incorreta, que deve agradar apenas aos adolescentes que gostem de vulgaridades e escatologias. Por isso mesmo, o filme passa longe da comédia clássica de Billy Wilder, seja na inteligência ou no bom gosto.
A maior parte das piadas de As Branquelas deriva do preconceito racial de brancos contra negros - e vice-versa. Vulgaridades à parte, a idéia inicial nem é de todo ruim, mostrando duas herdeiras loiras, fúteis e burras nos moldes das herdeiras Hilton, que por conta de uma ameaça de seqüestro passam a ser protegidas por agentes federais.
Os irmãos Kevin (Shawn Wayans) e Marcus Copeland (Marlon Wayans) são dois agentes do FBI que não conseguem acertar uma. Por isso, são designados apenas para buscar as irmãs no aeroporto - a segurança delas será feita por outras pessoas. Porém, enquanto estão indo para o hotel com as loiras no carro, há um pequeno acidente. Uma delas sofre um minúsculo corte no nariz e a outra no lábio, o que já é o bastante para elas acharem que precisam de uma cirurgia plástica. Os agentes as convencem a ficarem trancadas no quarto do hotel, até se recuperarem.
O plano deles é se disfarçar de irmãs Wilson e conseguir capturar o seqüestrador, subindo assim no conceito do FBI. Para tal, eles contam com a ajuda de um time de maquiadores e protéticos, que transformam os dois afro-americanos em loiras - ou quase. Assumindo a nova identidade, eles se hospedam no hotel e vivem a vida das irmãs. A existência delas limita-se a passar o tempo com amigas tão fúteis e consumidoras quanto elas. Ou então fazer pirraça contra uma outra dupla de irmãs para saber quem são as mais populares em Hampton, e ganhar a capa da revista de celebridades local.
O roteiro escrito por nada menos de seis profissionais não passa disso durante mais da metade do filme. Alguma espécie de ação só surge no final para resultar no clímax. Enquanto isso, as piadas se limitam a vulgarizar negros e brancos, apelar para a flatulência e um pouco da situação "peixe fora d'água". Isso, claro, se as platéias engolirem que os dois agentes disfarçados se parecem com as irmãs Wilson, ou qualquer figura humana.
A direção do filme fica por conta de Keenen Ivory Wayans (Todo Mundo em Pânico), irmão dos protagonistas, mantendo seu habitual estilo escrachado.
