Mesmo sem experiência no ramo, Joffily consegue armar a contento a trama envolvendo o triângulo de conseqüências fatais. A ação deslancha no rastro de um crime, a morte de Magali. Prostituta vivida, ela mantém um caso firme com Vieira, que vive uma nítida decadência física e psicológica mantendo à tona uma certa ironia. O delegado quer casar-se com Magali, mas ela recusa, por motivos que só ficarão inteiramente claros na porção final do filme.
Mais solitário e desesperançado do que nunca, Vieira ainda tem o desgosto de ver-se acusado do crime. Nesse momento, aproximam-se dele duas pessoas: a jovem Flor, que trabalhava com Magali numa boate, e o misterioso Monteiro (Genézio de Barros), uma ligação direta com um passado que Vieira tem tentado esquecer.
Antônio Fagundes e Zezé Polessa agarram seus papéis com uma convicção que lhes dá inteira credibilidade e é por onde passa a melhor energia do filme. Juliana Knust, porém, não acompanha no mesmo tom. É a ponta fraca, especialmente numa seqüência final em que teria de passar a ambigüidade de sua personagem.
Há algumas cenas insatisfatoriamente encenadas – como uma entrada intempestiva de Vieira nos domínios bem-guardados de Monteiro. A canção final de Arnaldo Antunes, Hotel Fraternité, composta especialmente para a trilha, na verdade, soa inteiramente fora de contexto. Mas estes equívocos não chegam a destruir o filme. É um trabalho digno, cujo desenvolvimento se acompanha com interesse.
