02/09/2026
Policial

Achados e Perdidos

Vieira (Antônio Fagundes) é um delegado aposentado e desiludido com tudo na vida. A única luz de sua existência é Magali (Zezé Polessa), uma prostituta que tem um carinho especial por ele. Um dia, ela aparece assassinada e ele é considerado o principal suspeito do crime. Uma outra prostituta (Juliana Knust) se aproxima dele.

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Arriscando-se num gênero sem tradição no cinema brasileiro, o filme policial, o diretor José Joffily dá a cartada mais audaciosa de sua carreira. Não foi a única audácia da produção: ao tomar como ponto de partida o livro Achados e Perdidos, do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, o diretor e o roteirista Paulo Halm eliminaram ninguém menos do que o protagonista do texto, o delegado Espinosa, colocando em primeiro plano na tela três outros personagens: o delegado aposentado Vieira (Antônio Fagundes) e as prostitutas Magali (Zezé Polessa) e Flor (Juliana Knust, estreando no cinema).

Mesmo sem experiência no ramo, Joffily consegue armar a contento a trama envolvendo o triângulo de conseqüências fatais. A ação deslancha no rastro de um crime, a morte de Magali. Prostituta vivida, ela mantém um caso firme com Vieira, que vive uma nítida decadência física e psicológica mantendo à tona uma certa ironia. O delegado quer casar-se com Magali, mas ela recusa, por motivos que só ficarão inteiramente claros na porção final do filme.

Mais solitário e desesperançado do que nunca, Vieira ainda tem o desgosto de ver-se acusado do crime. Nesse momento, aproximam-se dele duas pessoas: a jovem Flor, que trabalhava com Magali numa boate, e o misterioso Monteiro (Genézio de Barros), uma ligação direta com um passado que Vieira tem tentado esquecer.

Antônio Fagundes e Zezé Polessa agarram seus papéis com uma convicção que lhes dá inteira credibilidade e é por onde passa a melhor energia do filme. Juliana Knust, porém, não acompanha no mesmo tom. É a ponta fraca, especialmente numa seqüência final em que teria de passar a ambigüidade de sua personagem.

Há algumas cenas insatisfatoriamente encenadas – como uma entrada intempestiva de Vieira nos domínios bem-guardados de Monteiro. A canção final de Arnaldo Antunes, Hotel Fraternité, composta especialmente para a trilha, na verdade, soa inteiramente fora de contexto. Mas estes equívocos não chegam a destruir o filme. É um trabalho digno, cujo desenvolvimento se acompanha com interesse.

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