Durante os créditos iniciais do filme, numa montagem com fotos, Gary e Brooke estão felizes e vivendo dois anos de união. O começo do filme é o começo do fim do relacionamento. A primeira briga vai crescendo como uma bola de neve: começa por uma bobagem e, quando eles percebem, está cada um tomando seu rumo.
Porém, tomar rumos diferentes não significa morar em casas diferentes. Brooke acredita que mostrando para seu ex o que ele está perdendo, ele pensará em mudar e tentar recuperá-la. Por isso, ela começa a levar namorados para casa. Ao contrário do que se possa pensar, isso não é engraçado. Aliás, em momento algum essa comédia dirigida por Peyton Reed (Abaixo o Amor) consegue provocar algum riso. Se o objetivo era fazer uma comédia sem graça, a missão foi cumprida com louvor.
O roteiro e o diretor assumem que o público vai gostar de Brooke e Gary, só porque são interpretados por Jennifer e Vaughn. Por isso não se vê uma preocupação em desenvolver personagens ou uma relação consistente entre a dupla. Não existe a menor química entre os atores. Supostamente, a platéia deveria torcer para uma reconciliação. Mas, como eles são chatos separados, e mais chatos ainda quando estão juntos, é mais fácil esperar que entrem logo num acordo, vendam o apartamento, cada um siga a sua vida e os créditos finais cheguem logo.
Vaughn, além de co-assinar o roteiro, também é um dos produtores – o que explica porque esse é um filme para ele supostamente brilhar, e não Jennifer. Valendo-se de comédia física e verbal, o ator se esforça, mas parece estar num filme completamente diferente do resto do elenco. Os muitos coadjuvantes também pouco têm a fazer com seu tempo mínimo em cena.
Separados Pelo Casamento é uma versão light da comédia A Guerra dos Roses, de 89, que trazia Michael Douglas e Kathleen Turner como um casal em vias de separação, ambos tentando fazer com que a ex-cara-metade abandonasse o lar doce lar. Aqui, Jennifer e Vaughn também fazem mesquinharias um com o outro. É como assistir a um episódio expandido de Friends sobre separação, sem o alívio de um intervalo comercial a cada dez minutos.
