12/06/2026
Comédia

Dois É Bom, Três É Demais

Carl (Matt Dillon) e Molly (Kate Hudson) acabaram de se casar e mal podem aproveitar a vida a dois. Um amigo nada conveniente, Dupree (Owen Wilson), instala-se na casa dos pombinhos e, com suas trapalhadas, coloca em xeque o seu relacionamento.

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Todo mundo tem, teve ou vai ter um amigo Dupree na vida. Os Duprees são de fácil reconhecimento. Dóceis e com um olhar tristonho, são aquelas pessoas meio perdidas na vida, sem muita perspectiva, mas com um coração do tamanho do mundo, capazes de fazer o prato preferido dos amigos, ficar conversando por horas ou fazer palhaçadas só para os outros darem risada. Por outro lado, os Duprees podem ser pegajosos, já que não têm muitas perspectivas, como emprego fixo ou relacionamento amoroso estável. Em todo caso, é difícil dizer ‘não’ a um Dupree.

E que o diga o arquiteto Carl Peterson (Matt Dillon). Pouco depois de seu casamento, seu amigo Dupree (Owen Wilson) aparece na sua frente sem casa ou trabalho. Ele perdeu o emprego porque viajou para a cerimônia no Havaí e foi despejado por estar com o aluguel atrasado. Com dó, Carl decide dar abrigo ao companheiro de anos. A jovem esposa Molly (Kate Hudson) tenta se fazer de compreensiva e também aceita que Dupree se instale na sala de sua casa.

Mal sabe ela que os Duprees, quando chegam, é para ficar de vez, alterando a vida de qualquer pessoa. Desempregado, o rapaz está à procura de um novo trabalho – mas nem se esforça muito para isso, como mostra curiosamente numa entrevista. Enquanto não muda de situação, o amigo começa a socializar com os adolescentes do bairro, andar de skate e brincar na rua com eles. Será que ninguém tinha notado que essa espécie de amigo também tem síndrome de Peter Pan?

Em Dois É Bom, Três É Demais, os irmãos e diretores Anthony e Joe Russo (Tudo Por Um Segredo) mostram que, às vezes, pode ser útil também ter um amigo desse tipo instalado em casa. O problema está nos contratempos que eles trazem junto, o que inclui incendiar o sofá, entupir a privada e dormir nu na sala de casa.

O que os cineastas e o roteirista estreante Mike LeSieur fazem é humanizar um personagem cômico que facilmente cairia num estereótipo do chato-prestativo-atrapalhado. Aqui, graças ao talento de Wilson como comediante, Dupree representa uma certa imaturidade saudável que se recusa a envelhecer. Isso ajuda muito o arquiteto, no final das contas, a lidar com um relacionamento conturbado com seu chefe/sogro (Michael Douglas) mandão que, entre outras coisas, sugere ao genro uma vasectomia.

Com Dois É Bom, Três É Demais, Wilson retoma o universo da amizade masculina que explorou no sucesso do ano passado Penetras Bons de Bico. Porém, aqui com menos mau gosto e escatologias, o que, dada a conjetura da comédia contemporânea, é um grande lucro.

Essa comédia celebra, no final das contas, a amizade e a perseverança. Dupree vai, mais cedo ou mais tarde, descobrir sua verdadeira vocação, ou seu verdadeiro ‘lance’, como ele mesmo define. E sorte daqueles que têm um Dupree por perto. A vida fica sempre mais caótica – mas também bem mais divertida.

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