E que o diga o arquiteto Carl Peterson (Matt Dillon). Pouco depois de seu casamento, seu amigo Dupree (Owen Wilson) aparece na sua frente sem casa ou trabalho. Ele perdeu o emprego porque viajou para a cerimônia no Havaí e foi despejado por estar com o aluguel atrasado. Com dó, Carl decide dar abrigo ao companheiro de anos. A jovem esposa Molly (Kate Hudson) tenta se fazer de compreensiva e também aceita que Dupree se instale na sala de sua casa.
Mal sabe ela que os Duprees, quando chegam, é para ficar de vez, alterando a vida de qualquer pessoa. Desempregado, o rapaz está à procura de um novo trabalho – mas nem se esforça muito para isso, como mostra curiosamente numa entrevista. Enquanto não muda de situação, o amigo começa a socializar com os adolescentes do bairro, andar de skate e brincar na rua com eles. Será que ninguém tinha notado que essa espécie de amigo também tem síndrome de Peter Pan?
Em Dois É Bom, Três É Demais, os irmãos e diretores Anthony e Joe Russo (Tudo Por Um Segredo) mostram que, às vezes, pode ser útil também ter um amigo desse tipo instalado em casa. O problema está nos contratempos que eles trazem junto, o que inclui incendiar o sofá, entupir a privada e dormir nu na sala de casa.
O que os cineastas e o roteirista estreante Mike LeSieur fazem é humanizar um personagem cômico que facilmente cairia num estereótipo do chato-prestativo-atrapalhado. Aqui, graças ao talento de Wilson como comediante, Dupree representa uma certa imaturidade saudável que se recusa a envelhecer. Isso ajuda muito o arquiteto, no final das contas, a lidar com um relacionamento conturbado com seu chefe/sogro (Michael Douglas) mandão que, entre outras coisas, sugere ao genro uma vasectomia.
Com Dois É Bom, Três É Demais, Wilson retoma o universo da amizade masculina que explorou no sucesso do ano passado Penetras Bons de Bico. Porém, aqui com menos mau gosto e escatologias, o que, dada a conjetura da comédia contemporânea, é um grande lucro.
Essa comédia celebra, no final das contas, a amizade e a perseverança. Dupree vai, mais cedo ou mais tarde, descobrir sua verdadeira vocação, ou seu verdadeiro ‘lance’, como ele mesmo define. E sorte daqueles que têm um Dupree por perto. A vida fica sempre mais caótica – mas também bem mais divertida.
