O que aproxima os soldados franceses, ingleses e alemães que estão no front na França, a princípio, é a música. No entanto, esses inimigos acabam percebendo que aqueles a quem tentam matar no combate são tão humanos quanto eles – que também deixaram esposas, namoradas, filhos, que gostam das mesmas coisas.
O longa, escrito e dirigido por Christian Carion (Encontro Inesperado), cria uma série de personagens fictícios para contar o fato real. O lado alemão é representado pelo tenente vivido por Daniel Brühl (Adeus Lênin), sempre desconfiado, e por um tenor, interpretado por Benno Fürmann. Esse músico, aliás, viverá a história de amor do filme, ao lado de sua namorada e soprano Anna Sorensen (Diane Kruger). Ela acaba indo passar a noite nas trincheiras, ao lado de seu amado, e os dois cantam para alegrar os soldados alemães. A música, porém, chega às trincheiras inimigas e os ingleses começam a fazer um acompanhamento com uma gaita de fole. Essa seqüência – o diálogo espontâneo entre os dois inimigos por meio da música – é um dos momentos mais bonitos do filme.
Os franceses, assim como os alemães, são retratados de forma positiva. Já os militares ingleses, porém, não recebem esse mesmo tratamento. Isso acontece em especial com um bispo que reprime um padre, que também é soldado, por ter rezado uma missa para os inimigos, na noite de Natal.
No entanto, Carion simplifica um pouco demais os acontecimentos. Como se sabe, na verdade, a trégua começou com os soldados cansados dos horrores da guerra, e não por um ato de amor e altruísmo, durando até a Páscoa. Os dois cantores líricos também acabam tendo uma solução bem inverossímil. São essas pequenas concessões que enfraquecem o resultado final do filme, que muitas vezes carrega demais nas suas boas intenções.
