Seqüência de Kirikou e a Feiticeira (1998), este desenho animado francês retoma a história do minúsculo menino africano Kirikou, mais uma vez enfrentando a terrível feiticeira Karabá, que ameaça a sobrevivência de sua aldeia.
Michel Ocelot, diretor do filme original, está novamente à frente, mas desta vez contando com uma diretora assistente, Bénédicte Galup. A produção consumiu um ano e meio, dos storyboards aos desenhos propriamente ditos, que foram realizados em três países, em estúdios na França, no Vietnã e na Látvia.
A participação de cerca de duzentos técnicos de países diferentes contribui para que se mantenha o visual do desenho numa linha independente da escola americana de animação, representada por estúdios como Disney/Pixar, DreamWorks e outros. Se é verdade que os movimentos dos personagens são um pouco mais estáticos, nem por isso deixam de ser especialmente originais as paisagens africanas que se vêem aqui, bem como os traços dos personagens, suas roupas e objetos.
Uma abordagem diferente, de respeito à multiculturalidade, é outro diferencial positivo em relação à habitual pasteurização promovida por Hollywood. Kirikou – Os Animais Selvagens compreende quatro histórias inspiradas em lendas do oeste africano, assim como o filme de 1998. Na primeira, o pequeno Kirikou, que todos pensavam ter-se afogado, recupera-se e ajuda sua aldeia a recomeçar a agricultura. No desenho anterior, a feiticeira esgotara o suprimento de água dos aldeões, mas Kirikou encontrou uma nova fonte.
Logo mais, a comunidade terá de enfrentar uma hiena gigantesca, que invade sua horta, destruindo boa parte da plantação, já no ponto de ser colhida. Kirikou tem a idéia de que todos façam potes de cerâmica para vender na cidade, ganhando dinheiro para comprar alimentos. Ele mesmo vai fazer o maior sucesso com seus potinhos em miniatura.
Kirikou vive uma grande aventura quando faz um passeio sentado na cabeça de uma girafa, o que lhe permite conhecer paisagens nunca vistas antes. Seu problema, depois, vai ser encontrar um jeito de descer lá de cima sem se machucar.
A última e mais perigosa missão do menino surge quando todas as mães da aldeia adoecem. Uma bebida que tomaram foi envenenada pela feiticeira. Kirikou vai se disfarçar para colher a planta que dá o antídoto em pleno jardim da bruxa, que é vigiado por seus perigosos robôs.
Kirikou – Os Animais Selvagens é mais indicado para crianças pequenas, recorrendo várias vezes a canções para contar suas histórias. Nem por isso deixa de ser muito agradável a platéias de todas as idades. Na trilha sonora, comparecem astros da world music, como o camaronês Manu Dibango, com canções da malinesa Rokia Traoré e do senegalês Youssou N’Dour, que já havia participado da trilha do primeiro filme.
