10/07/2026
Drama Ação

72 horas

Professor de vida pacata, John tem sua rotina abalada quando a mulher é presa e condenada por assassinato, que jura que não cometeu. Sem poder contar com a justiça, o marido monta um plano mirabolante de fuga com a mulher e o filho.

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Russell Crowe desperta o gladiador que mora dentro do professor John Brennan, seu protagonista no drama de suspense 72 horas – em que, mais uma vez, o premiado diretor e roteirista Paul Haggis desenvolve uma estrutura dramática em espiral.
 
Desta vez, ao contrário de Crash – No Limite (o filme de Haggis que ganhou o Oscar em 2006), o foco está todo centrado numa única pessoa, num único esforço – o do professor de literatura, honesto e pacato pai de família, obcecado por tirar da cadeia a mulher, Lara (Elizabeth Banks), com um plano mirabolante, de dar inveja a qualquer criminoso ousado e experiente.  O roteiro, também de Haggis, inspira-se no filme francês Tudo por Ela (2008).
 
Crowe é ator talentoso o bastante para dar credibilidade a este marido e pai fragilizado, que não consegue mais concentrar-se no emprego, nem no cuidado do pequeno filho único, Luke (Ty Simpkins), por conta do problema da mulher – que foi condenada pelo assassinato da chefe sem esperança de apelação, tamanhas as evidências que se acumularam contra ela.
 
Por conta desse beco sem saída, que levará a mulher à bem-guardada penitenciária do estado em três dias (as tais 72 horas), John corre contra o relógio para montar um plano de fuga à prova de erros. Como é novato no ramo, recorre aos serviços de um especialista (Liam Neeson), um presidiário e fugitivo contumaz que até já escreveu um livro a respeito.
 
Contando com os conselhos do especialista e algumas arriscadas incursões pelo submundo de Pittsburgh, onde mora, o professor arma um plano complexo de fuga com a mulher e o filho. Nada simples, porque a logística exige documentos falsos, roupas, passaportes, passagens e a rapidez da escapada, permitindo fugir ao cerco que rapidamente se armará em divisas estaduais, fronteiras, rodoviárias e aeroportos.
 
Haggis conta com a empatia que o protagonista deve despertar, embora esteja envolvido claramente numa empreitada, em última instância, criminosa. Um problema é que, num determinado momento, põe-se em dúvida a inocência de Lara, de uma forma malconduzida – o que pode suspender a simpatia, tanto por ela, quanto por John, que talvez devesse atentar mais ao seu papel de pai.
 
Há inúmeros buracos no roteiro que levam à quebra de confiança com que toda história de ficção precisa contar para sustentar-se, por mais que os atores visivelmente se esforcem em superar estas falhas.
Também é preciso uma dose extra de fé para acreditar que John supere tão facilmente não só sua inexperiência no mundo do crime como tome as atitudes ousadas que assume – melhor deixar de fora os detalhes aqui, para não entregar todo o filme.
 
Não seria nada mau que Haggis confiasse também algumas linhas de diálogo a mais ao veterano Brian Dennehy, que faz pouco mais do que caras e bocas – e ainda assim captura a atenção – no papel do pai de John. O que é muito pouco para o intérprete de Silverado e A Barriga do Arquiteto.
 
E ainda falam mal de Alejandro González Inárritu, que consegue armar tão melhor, dramática e estruturalmente, suas histórias complexas. Haggis, na melhor das hipóteses, é um compilador de clichês.
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