A recusa faz sentido. Com um afinado apuro técnico, a coprodução entre Brasil, Itália e Portugal Estrada 47 centra-se no drama e nos conflitos dos personagens, deixando os horrores da guerra apenas como uma questão de contexto. Uma abordagem humana extraída das leituras de relatos de ex-combatentes e crônicas sobre o tema feitas pelo diretor nos últimos anos.
No roteiro, Ferraz fecha sua narrativa no quarteto formado por Piauí (Francisco Gaspar), Tenente (Júlio Andrade), Laurindo (Thogun Teixeira) e Guima (Daniel de Oliveira), soldados brasileiros enviados à Itália para lutar contra as forças do Eixo. Depois de uma debandada generalizada do batalhão por uma crise de pânico no sopé do Monte Castelo, os quatro se separam do grupo.
No caminho irão encontrar o desertor fascista Roberto (o ator e diretor italiano Sergio Rubini) e ainda fazem prisioneiro um soldado alemão, o coronel Mayer (Richard Sammel). Cada um deles irá ajudá-los de alguma forma nesta empreitada.
Vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Gramado, no ano passado, a ficção de Vicente Ferraz também surpreende pelas dificuldades técnicas enfrentadas em sua produção. Filmada na Itália, debaixo um rigoroso inverno (já que a presença da neve era fundamental), o trabalho da equipe e elenco foi ainda mais desafiador.
