Metanoia é um filme repleto de boa vontade, e isso é possível notar em cada cena. Mas de boa vontade, o inferno do cinema está cheio, infelizmente. Dirigido por Miguel Nagle, esse é um filme de mensagem – e por mais válida que ela seja, não o transforma num bom filme. A história de vida de Caíque Oliveira, que foi viciado em crack, é o tema do longa, do qual ele é roteirista, produtor e protagonista.
Eduardo (Oliveira) é um jovem da periferia de São Paulo, com seus sonhos, anseios e aflições como qualquer outro. Criado por uma mãe solteira, Solange (a ótima Einat Falbel) cresce sem grandes problemas até ficar amigo de um jovem rico, Jeff (Caio Blatt), que o introduz no mundo do crack. Segue, então, o calvário comum do gênero: vende as coisas de casa para sustentar o vício, faz a mãe sofrer, vai viver no centro de São Paulo, tenta se livrar das drogas etc.
O roteiro, assinado por Oliveira e Nagle, é mal estruturado confiando demais numa narração do protagonista que, quando não é redundante (dizendo exatamente o que se vê na tela), serve como muleta para “contar” momentos (emocionais, narrativos etc) dos quais não dá conta de representar em imagens. Já como ator, Oliveira é empenhado e carismático, mas falta um filme mais bem resolvido para o seu talento. Metanoia tem por objetivo transmitir uma mensagem cristã – mas se segura por boa parte do tempo, mencionando religião aqui e ali, de forma discreta. Porém, nos seus minutos finais, não resiste e escancara a que veio.
