09/07/2026
Drama

Permanência

Ivo é um fotógrafo que fará sua primeira exposição em São Paulo. Acaba se hospedando na casa da ex-namorada, que agora está casada. Aos poucos, percebem que ainda existe uma tensão entre eles.

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Permanência, primeiro longa do pernambucano Leonardo Lacca, tem um título paradoxal, pois, em seu coração, fala mais daquilo que deixa de existir do que aquilo que fica. A que se refere, então, o título? Talvez ao fato de que Ivo (Irandhir Santos) se hospede na casa de sua ex-namorada, Rita (Rita Carelli), que agora está casada com Mauro (Silvio Restiffe).
 
Existe, obviamente, uma tensão entre o trio – nas faíscas quase invisíveis entre Ivo e Rita, na resignação quase martirizante de Mauro, em o que aquelas pessoas deviam dizer uma para outras e não dizem. Lacca, que também assina o roteiro, constrói um estudo de personagens e as forças que os aproximam e separam.
 
Ivo é fotógrafo, e está em São Paulo para sua primeira exposição – é também o momento de reencontro com o pai (Genézio de Barros), e acertar contas com o passado. É nessas fraturas que Lacca encontra a pulsão de seus personagens. Nesse sentido, o não-dito tem tanto – ou até mais – valor do que aquilo que é explícito. É naquilo que escondem que os personagens se revelam. É nos momentos de desconforto que sabemos quem são. É quano Ivo chega á casa de Rita, e ela não sabe direito o que fazer. São cerca de 10 minutos de um jogo de tentativas, erros e acertos, no qual ela tenta agradar o ex-namorado, e ele se esforça para não a constranger. Curiosamente, quando está a sós com Mauro, Ivo não parece tão sem-graça – talvez porque não existam expectativas, apenas cuidados para não ultrapassar um certo limite invisível.  
 
É no trio de atores centrais que Lacca deposita boa parte da força de seu filme – e acerta. Santos, Rita e Restiffe são precisos em seus personagens e os desconfortos de cada um deles. Encontram, paradoxalmente, nos vazios, o apoio para progredirem, e sobreviver a esse período estranho e de estranheza em suas vidas. No Cine-PE, no começo de maio, o longa levou melhor filme, atriz (Rita), coadjuvantes (Barros e Laila Pas) e direção de arte.
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