02/07/2026
Terror Fantasia

Anjos da noite - Guerras de sangue

Embora seja pária no submundo de vampiros e lobisomens, Selene é a chave para a evolução das espécies e passa a ser atacada pelos dois grupos. Sem refúgio, ela terá que evoluir mais uma vez para escapar de seus inimigos.

post-ex_7
Criada em 2003, a franquia de terror soft Anjos da Noite se tornou uma máxima do cinema pipoca do gênero: reciclam-se histórias manjadas, repaginadas com apelo visual moderno (copiado), ultraviolento e ação sem freios. Porém, com uma narrativa frouxa, o desenvolvimento de personagens e qualquer inovação técnica são aspectos que ficam a dever.

Quando lançada, era clara a referência a videogames e à série Matrix, sob o manto da fantasia de lobisomens e vampiros que vivem uma guerra infinita pelo poder. No submundo habitado por eles, destacava-se a caçadora homens-lobo, a vampira Selene (Kate Beckinsale), que voltou-se contra seu povo em nome do amor por Michel (Scott Speedman), um híbrido das duas espécies.

O sucesso levou à segunda parte da história, que mostrou a gênese das duas espécies e implicou Selene em uma luta por sua sobrevivência. Na sequência, a evolução da protagonista (entenda-se aqui a aquisição de superpoderes) tornou-a alvo de seus inimigos, sedentos por, literalmente, seu sangue.

Com Michel fora do caminho, relegado a memórias, a luta foi direcionada ao nascimento de Eve (India Eisley), a filha do casal, a primeira híbrida concebida naturalmente. E é exatamente pelo poder de Eve que se origina a trama de Guerras de Sangue.

Selene, que leva patadas como uma bola de futebol, é uma pária de seu mundo, relegada a fugir dos interesses de seus perseguidores: Marius (Tobias Menzies) é o líder do clã lobisomem, que busca capturá-la para encontrar Eve e eliminar todos os vampiros que, por sua vez, são liderados por Semira (Lara Pulver), louca por poder.

Para combater os malfeitores, Selene conta com a ajuda de David (Theo James) e um clã de vampiros new age que moram no extremo norte da Europa, praticamente no gelo. Como está em clara desvantagem, a heroína terá de evoluir mais uma vez (de novo, mais superpoderes) para superar os desafios que lhe são impostos.

Nesse contexto, a nova produção é um filme-meio. Onde está Eve? O que acontecerá com os vampiros e lobisomens? Selene transcenderá a luta milenar entre as espécies? Nada é claro no desfecho de Guerras de Sangue e provavelmente tudo será explicado no próximo capítulo, já anunciado.

A diretora Anna Foerster (de séries de TV como Criminals Minds e Outlander), em seu primeiro longa-metragem, faz o que pode com o roteiro de Cory Goodman, responsável pelos irregulares Padre e O Último Caçador de Bruxas. Falta coesão e, mais do que isso, criatividade para não apresentar os subterfúgios e saídas fáceis para emendar os buracos do enredo.
 
Pobre Selene.


 
post