Ainda no início de After, a protagonista, a heroína romântica Tessa (Josephine Langford), vai à sua primeira aula de Economia na faculdade. O professor diz que essa é a disciplina mais importante do ano e espera que todos aproveitem os 25 anos de experiência que ele adquiriu em Wall Street. É uma fala um tanto ridícula da qual qualquer universitário daria risada mas, no caso, os estudantes nem reviram os olhos. É o primeiro indício de que as coisas não irão muito bem daqui para a frente no longa dirigido por Jenny Gage, a partir do romance homônimo de Anna Todd.
Derivado de um livro popularizado na internet, a história é uma espécie de mistura de Cinquenta Tons de Cinza com Crepúsculo e valendo-se do que há de pior em cada um. Tessa consegue ser ainda mais tola do que Bella Swan e Anastasia Steele juntas. Para piorar, Langford não tem o talento de Kristen Stewart e Dakota Johnson para tentar tirar a personagem do limbo. Pouco ajuda o fato de seu par romântico padecer dos mesmos problemas.
Interpretado pelo inglês Hero Fiennes Tiffin, o protagonista Hardin é um derivado de Heathcliff, de O morro dos ventos uivantes, de onde saiu a leva de heróis românticos juvenis recentes – o vampiro Edward Cullen e o sádico Christian Gray –, mas com toques do músico inglês Harry Styles, em quem o personagem do livro de Todd é inspirado. De imediato, Tessa e o rapaz não se dão bem: ela é toda certinha e controlada pela mãe (Selma Blair).
Frequentar a faculdade em outra cidade é uma oportunidade para Tessa se soltar, descobrir o mundo. Apesar disso, ela tenta manter-se fiel ao namorado que conhece desde a infância – Noah (Dylan Arnold). Mas Hardin torna-se uma grande tentação que, primeiro ela esnoba, mas depois se deixa levar.
Não é preciso que um filme romântico juvenil reinvente a roda, mas é necessário algum frescor, algo que inexiste em After. Tal qual o livro original – derivado de um derivado de um derivado –, tudo aqui parece de segunda mão. Desde o perfil das personagens até seus interesses e, especialmente, a trilha sonora pegajosa com músicas pop-românticas que parece uma lista aleatória no Spotify. Isso tudo, no entanto, nem seria tão incômodo, não fosse o fato de que mais uma vez temos uma história de um relacionamento abusivo que é tratado como fofo – especialmente em sua conclusão. O que não é apenas ruim, mas perigoso. Que tipo de história de amor está sendo vendida à juventude contemporânea? Que não vê problema na moça ser maltratada porque, no fundo, ele é romântico?
