Premiado no Festival de Roterdã, este é um filme que preza, acima de tudo, a sinceridade. Escrito e dirigido pela bósnia (radicada em Amsterdã) Ena Sendijarevic, o longa poderia ser facilmente manipulador. Mas a diretora, em sua estreia, opta pela contenção e o absurdo à la Jim Jarmusch, resultando numa obra repleta de boa vontade e cumpridora do que promete.
A protagonista, Alma (Sara Luna Zorić), vive na mesma situação que a diretora, mas é uma adolescente que precisa voltar para a Bósnia e visitar o pai que está hospitalizado. A jornada ganha contornos surreais, especialmente porque seu primo, Emir (Ernad Prnjavorac), que deveria ajudá-la, não está nem aí para ela e sobra para o amigo dele, Denis (Lazar Dragojević). Nada sai minimamente como o planejado, e Alma acaba pegando carona com uma cantora decadente, Jovana (Jasna Đuričić).
A fotografia de Emo Weemhoff valoriza o colorido vibrante, com tons pastel que parecem quase saídos de uma loja de doces, com uma tela quadrada que parece tentar conter Alma em toda sua experiência de amadurecimento. É um filme claramente inspirado em Estranhos no Paraíso, mas sob uma ótica feminina, a partir de uma garota em busca, acima de tudo, de suas origens, de sua terra natal. Nesse sentido, Sara Luna Zorić é um achado. Quase sempre emburrada, sempre infeliz (algo justificável até), ela é uma presença magnética na tela
