Pronto desde 2017, Crime e Desejo poderia ter sido lançado antes na esteira do sucesso de Emilia Clarke em Game of Thrones, mas uma série de acontecimentos – incluindo vazamento na internet – adiaram seu lançamento. Nos EUA, sairiam em cinema em maio de 2020, mas a pandemia adiou esses planos. Na Inglaterra acabou lançado diretamente em streaming, assim como no Brasil. A atriz interpreta Susan Smith, considerada a primeira vítima (ao menos oficialmente) morta por um agente do FBI.
No final da década de 1980, Susan mora numa pequena cidade do Kentucky, onde ganha algum dinheiro vendendo drogas. Sua história é triste e pesada, que merecia um tratamento cinematográfico mais apurado, mas com a direção de Phillip Noyce, veterano diretor de filmes de ação, o resultado nem sempre vai além do sensacionalismo que todo o caso gerou, e muita fotografia em tons azulados para pouca susbstância.
O roteiro é assinado por Chris Gerolmo (Mississipi em Chamas) a partir do livro-reportagem de Joe Sharkey publicado em 1993, quatro anos depois do assassinato de Susan por Mark Putnam, no filme, interpretado por Jack Huston, um agente do FBI, de quem a moça se tornou amante e informante, e que o via como uma chance de livrar de uma vida que parecia fechada num beco sem saída.
Clarke tem uma performance avassaladora como a jovem viciada em drogas e sem perspectivas de futuro numa cidade que cresceu em torno de minas, e agora agoniza sem dar oportunidades a seus moradores e moradoras. O filme é narrado pela personagem já morta, que, logo na primeira cena, diz: “Sabe o que é a pior coisa de estar morta? Você tem muito tempo para pensar.”
Casada com um traficante chamado Cash (Johnny Knoxville), na adolescência, mesmo separada dele, Susan vive sob seu teto. Sua única parente é uma irmã (Thora Birch), com quem tem uma relação tensa. A vida nunca foi fácil para ela, por isso quando Mark aparece em sua vida, ele parece ser um sujeito legal, a primeira pessoa a ter um pouco de simpatia e compaixão por ela. Ele surge na cidade, investigando o roubo de um banco, mas se aproxima dela, e a convence a delatar o submundo daquela cidade.
Logo eles estão tendo um caso tórrido, e a esposa dele (Sophie Lowe), obviamente desconfia. Não é preciso conhecer a história de Susan Smith para saber que não vai acabar bem – o filme, claro, entrega isso logo de cara, na primeira cena, quando a ossada dela é encontrada. Então a função de Crime e Desejo é desvendar o percurso que levou Susan até ali, narrado por sua voz do além-túmulo, e isso, o longa faz com competência técnica.
