05/07/2026
Suspense Drama Comédia

Eu me importo

Marla é uma advogada que vive de dar golpes em idosos, internando-os numa clínica e administrando seus bens. Ela sempre se deu muito bem, até que acabou se aproveitando de uma mulher com ligações com a máfia.

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Eu me importo anuncia uma promessa que não se cumpre. É (ou seria) um drama – com tons de comédia – ácido sobre uma golpista, com um esquema muito bem engendrado, envolvendo idosos e idosas solitárias com uma pequena ou grande fortuna. Marla (Rosamund Pike, cirúrgica em sua interpretação) é uma advogada que cuida dessas pessoas, independente ou não de terem familiares ou precisarem ou não de uma advogada para administrar suas posses. Na verdade, dos bens deles e delas depois de os/as internar numa clínica de repouso, contando com comparsas mas mais diversas esferas – médicos, enfermeiros etc -, inclusive sua companheira, Fran (Eiza González).
 
Somos apresentados à personagem em ação, num julgamento movido pelo filho de uma cliente, que alega ser vítima de um golpe junto com sua mãe. Marla consegue provar a negligência dele e ganha a causa. Marla tem uma percepção bem peculiar do mundo, que, conforme seu pensamento, foi feito para dificultar a vida das mulheres e lhes tomar oportunidades – e ela não está errada, ao menos não em relação a isso.
 
O roteirista e diretor do filme é J. Blakeson, que até agora fez filmes medianos de gênero que nunca disseram a que vieram, como A 5a Onda. Aqui ele mostra talento, mas o roteiro começa a patinar quando Marla sequestra, pois essa é a palavra, e dopa a pessoa errada, Jennifer Peterson (Dianne Wiest), que tem relações diretas com um gângster russo, Roman (Peter Dinklage), e é aí que o filme se perde. Roman é a soma de todos os clichês possíveis desse tipo de personagem, mais do que precisava e tinha direito. A narrativa, por sua vez, parece encantada demais com ele e o suposto suspense que poderia gerar, e desanda.
 
De golpista, Marla se torna quase rainha do crime, capaz das manobras mais inesperadas, incluindo, ao que parece, a imortalidade. Já alguns personagens, como um juiz a quem a protagonista engana, mostram-se mais burros do que teriam direito. Marla, afinal, é fruto de seu tempo, gestada na idade de meritocracia e formatada no governo Trump, sem tempo para perdedores ou fracos. Nesse sentido, Eu me importo poderia ser um retrato bem ácido do sonho americano, e daquilo em que os EUA se transformaram, mas Blakeson insiste por um caminho de filme de gângster, óbvio e sanguinolento, sem muito a acrescentar àquilo que poderia estar dizendo.
 
Rosamund Pike venceu o Globo de Ouro como melhor atriz de comédia/musical pelo filme. 
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