Por muitas diferenças que haja entre suas vidas, Pilar e Shin estão de certa forma no mesmo barco. Sem contar com homens a seu lado, elas comandam existências neste momento pressionadas por uma crítica necessidade de dinheiro. Pilar, que pensava emigrar para a Irlanda, tem a filha (Larissa Góes) sequestrada pelo crime organizado e precisa levantar uma alta soma para resgatá-la. Shin, por suas vez, tenta reaver dinheiro do marido morto para poder sepultá-lo em seu país natal.
Na montagem, Karen Harley, Gustavo Campos e Rita Pestana costuram com calma esse caleidoscópio de vidas no limite em que as duas mulheres encontram alguma forma de solidariedade e empatia - que é quase amor nestes tempos de tanta solidão.
Construindo-se solidamente através desses vários elementos não-ditos explicitamente, mas mostrados, Fortaleza Hotel compõe uma história densa em descobertas cuja complexidade vai se expondo aos poucos, só dispensando mesmo o recurso à idealização. Pilar e Shin são duas mulheres de carne e osso, vivendo dilemas deste tempo, encontrando-se na humanidade que as caracteriza, apesar das evidentes diferenças.
Além disso, não foi pouco desafio o diretor comandar um set em que foi imprescindível o uso do inglês, sem perder com isso a emoção de cada cena - o que evidencia o preparo investido neste e nos demais aspectos da produção.
