04/07/2026
Drama

Lola e o Mar

Lola rompeu com sua família, que não a aceita como uma mulher transexual. A morte da mãe, no entanto, a obriga a entrar em contato com o pai. Nessa mesma época, ela recebe a notícia de que sua cirurgia de redesignação de gênero foi antecipada. Mas, para isso, precisa de uma alta quantia de dinheiro para pagar o procedimento.

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Eis mais um daqueles filmes repletos de boas intenções, e que usam esse estratagema para justificar sua existência – embora aqui, ao contrário de vários exemplares desse, digamos, gênero, há uma tremenda atriz em cena, a estreante Mya Bollaers, que interpreta uma jovem transexual às vésperas de uma cirurgia de redesignação de gênero. Em Lola e o Mar, ela interpreta uma jovem de 18 anos, abandonada pela família e execrada pelo pai, Philippe (Benoît Magimel).
 
A morte da mãe, no entanto, que acontece pouco antes da narrativa do filme começar, faz com que pai e filha acabem se encontrando novamente. Ela não pode comparecer ao velório, mas agora rouba as cinzas e está disposta a espalhá-las no mar, próximo à casa para onde viajava na infância. Não é surpresa que Philippe vá atrás dela para recuperar as cinzas de sua mulher, e que não abra mão de também participar do ritual.
 
Ao mesmo tempo, Lola descobre que sua cirurgia será antecipada, e agora ela precisa conseguir o dinheiro necessário para pagar o procedimento. Para surpresa de Philippe, ela e a mãe mantinham contato – tanto que essa assinou toda a documentação que autoriza a cirurgia. Durante a viagem, a jovem e seu pai descobrem que, apesar das diferenças, são mais parecidos do que imaginavam.
 
Quando pai e filha acabam forçados a fazer juntos uma viagem de carro rumo ao litoral, será um momento para tentar curar as dores e reatar laços. E esse são clichê que o diretor e roteirista belga Laurent Micheli traz sem nenhum pudor para seu filme. As cenas são um tanto previsíveis, e a jornada parece durar mais do que o necessário. Mas Lola e o Mar encontra sua força e sua graça em sua dupla central – em especial em Bollaers, que deve ter trazido muito de sua própria experiência para a personagem.
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