04/07/2026
Drama Comédia

Papai é pop

Tom e Elisa acabam de ter a primeira filha. Enquanto ela se desdobra para cuidar da menina, ele entra em crise, acha que não será um bom pai e se envolve em várias confusões tentando aprender como assumir seu papel.

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Às vezes é necessário um grande ator – ou uma grande atriz – para salvar um filme. Lázaro Ramos é desses. Papai é Pop não é um desastre total, é assistível apenas por causa dele – mesmo que seu personagem não seja particularmente bem desenvolvido. A ideia é, obviamente, lúdica: um pai de primeira viagem repleto de questionamentos e inseguranças. Até aí nada de novo e bastante plausível – o problema é a maneira como o filme de Caíto Ortiz lida com isso.
 
Tirando inspiração no livro do catarinense Marcos Piangers, o filme acompanha Tom (Ramos), um programador cuja vida vira de cabeça para baixo quando nasce sua primeira filha com sua esposa, Elisa (Paolla Oliviera). Cheio de questionamentos e sem saber como fazer para criar a menina – aparentemente, bom senso não é o forte dele -, o protagonista se envolve em algumas roubadas.
 
É interessante como o roteiro trata as duas figuras centrais: Tom e Elisa. Ela não tem outra opção senão abraçar a maternidade, abdicar de sua vida pessoal e do trabalho para cuidar da filha. Já Tom, mesmo repleto de boa vontade, tem o privilégio, no filme, de errar o tempo todo e ficar dizendo que ainda está aprendendo, mas não sabe como fazer pois foi abandonado pelo próprio pai.
 
Todo mundo se compadece dele – inclusive sua mãe feminista, Gladys (Elisa Lucinda) – e vilaniza a esposa, Elisa, quando ela o coloca para fora de casa depois de ele deixar a bebê dormindo num cesto de roupa suja e se embriagar com um colega de trabalho (Leandro Ramos), na primeira e única vez que ela saiu de casa com as amigas depois do nascimento da filha.
 
Sendo uma comédia, ninguém espera, é óbvio, um tratado sobre a paternidade contemporânea, mas Papai é pop se contenta com pouco, em passar a mão na cabeça de Tom e encontrar todas as desculpas possíveis para seus erros.  Na única vez que é punido, quando precisa sair de casa, o filme torna Elisa uma personagem má.
 
Fora tudo isso, o filme também parece ter dificuldade de chegar ao fim. Quando as questões estão todas resolvidas e deve caminhar para o óbvio final feliz, outra coisa, inesperada e desnecessária, acontece e ainda prolonga mais alguns minutos a narrativa.
 
Aqui, papai não aprende a fazer mais do que sua obrigação e ganha um filme para o elogiar por isso. Só o carisma e o sorriso de Lázaro Ramos mesmo para tornarem esse mote minimamente suportável. Vale ressaltar também Elisa Lucinda, como a mãe compreensiva e generosa – uma presença que ilumina o filme.
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