04/07/2026
Terror Drama

X - A marca da morte

O ano é 1979. Uma equipe de cinema aluga um casebre, numa fazenda na zona rural do Texas. Eles pretendem fazer um filme pornográfico, mas acontecimentos inesperados podem acabar com a produção.

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Há uma linha muito tênue entre a homenagem e a paródia involuntária – a voluntária é outra coisa – e o diretor e roteirista Ti West sabe muito bem onde colocar seu dinheiro, ou como fazer o sangue jorrar. Seu X – A Marca da morte assume-se como uma cria de O massacre da serra elétrica sem qualquer pudor, e transita entre a homenagem e novidade – mesmo não o sendo totalmente, mas isso pouco importa, pois o cineasta sabe como criar atmosfera melhor do que as sequências oficiais do clássico do gênero de 1974.
 
Ao se assumir como uma homenagem ao filme e ao gênero, X evita cair na armadilha de acreditar que está inventando algo novo, abraçando os elementos clássicos com sagacidade e verve. Um grupo de jovens (possivelmente não muito espertos), um carro numa estrada, uma cidade no meio do nada com pessoas geralmente reacionárias e, a partir daí, é sangue para todo lado.
 
Ao situar a trama em 1979, West, mais do que evocar uma era, recria uma época, seja na fotografia – assinada por Eliot Rockett – ou nos outros elementos estéticos. A narrativa também tem seu tempo para ser construída sem pressa, sem a ansiedade contemporânea de começar logo a matança desenfreada que, eventualmente, domina todo o filme.
 
O grupo de jovens que chega à cidadezinha reacionária é formado pelo elenco e equipe que pretendem rodar um filme pornográfico, chamado As filhas do fazendeiro. Entre as atrizes está Maxine (Mia Goth), a mais ambiciosa de todas, que sonha em ser uma estrela e namora o produtor, Wayne (Martin Henderson). A equipe ainda inclui outra atriz, Bobby-Lynne (Brittany Snow); seu namorado e ator, Jackson (Scott Mescudi); o diretor RJ (Owen Campbell), que acredita estar fazendo uma obra de arte; e sua namorada, Lorraine (Jenna Ortega), cuja função no set é segurar o microfone.
 
Como Boogie Nights – Prazer sem limites, guardadas as devidas proporções, X – A marca da morte também é uma homenagem ao pornô pré-VHS, quando os filmes eram feitos em película e incluíam uma história, não apenas cenas de sexo. West é realista o bastante para construir isso em seu filme. Toda essa atmosfera um tanto idílica é destruída por um casal de idosos, donos da propriedade onde o grupo alugou uma cabana para fazer suas filmagens.
 
As primeiras vítimas – ao contrário do que prega a cartilha do gênero – são os homens e, nesse sentido, X – A marca da morte torna-se um filme de apelo feminista e feminino, ao colocar ao centro uma jovem disposta a viver sua sexualidade de forma livre como bem quiser. Goth, sempre uma atriz interessante, não podia estar melhor aqui, na medida certa para o papel.
 
Com seu arsenal de referências cinematográficas – de Psicose a algumas cenas de Stanley Kubrick –, West torna-se um nome a se prestar atenção. Mais do que reciclar os mestres, ele os homenageia, mas faz o seu próprio filme sem prender-se a amarras. Seu novo trabalho, Pearl, uma prequel de X – A marca da morte, que conta a história de Maxine, será exibido fora de competição no Festival de Veneza, um lastro que diz muito sobre a filmografia que ele está construindo.
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