O drama de balé O próximo passo, dirigido por Cédric Klapisch, abre com uma sequência belíssima de dança clássica, que logo se transforma num potente exercício de cinema com a montagem dos créditos inicias. O filme, porém, depois dessa abertura de fôlego se revela mais convencional, e protagonizado por Marion Barbeau, integrante da companhia Balé da Ópera de Paris, que estreia no cinema.
Como a personagem principal, Barbeau ainda se mostra uma atriz que precisa de mais preparo para atuar, embora, obviamente, ela se destaque nas cenas de dança, tanto clássica quanto contemporânea. Ela interpreta Elise Gautier, uma promissora jovem bailarina clássica que um acidente lesionando o tornozelo coloca sua carreira em risco.
Klapisch e Santiago Amigorena, que assinam o roteiro, acompanham a jornada dessa jovem em busca de se reencontrar no mundo e para si mesma. Uma colega, por exemplo, que passou pela mesma experiência disse que nunca mais conseguiu dançar, e agora tenta carreira como atriz. Mas o que Elise deve fazer? Suas dúvidas só aumentam. Seu pai (Denis Podalydès), que nunca aceitou sua escolha pelo balé se torna ainda mais crítico com a filha.
Elise acaba viajando e conhece Josiane (Muriel Robin), uma figura bastante crítica, mas também maternal, que faz de sua casa de campo um residência para jovens dançarinos. A protagonista, que não pode dançar, a ajuda nas tarefas domésticas, e acompanha, de longe, os ensaios da companhia de dança de Hofesh Shechter, o famoso dançarino e coreógrafo israelense que interpreta a si mesmo no filme.
A transformação da protagonista se dará quando descobre a dança contemporânea – algo com que sempre simpatizou. Ela descobre que, mesmo lesionada, pode praticar essa modalidade, e se envolve nos ensaios, também se apaixonando por seu parceiro na coreografia, Mehdi (Mehdi Baki).
Os caminhos que O próximo passo toma não são muito originais, mas Klapisch filma seus personagens e seus dramas com tanto carinho que é impossível não se envolver com eles, mesmo com a atuação fraca de Barbeau – algo que fica mais evidente quando ela divide a cena com o veterano Podalydès.
