25/06/2026
Documentário

Aquilo que eu nunca perdi

Documentário vibrante e cheio de energia que traz a figura da artista Alzira E, mostrando além de seus shows, sua vida em família, resgatando sua trajetória, e entrevistas inéditas.

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Até algum tempo atrás conhecida como Alzira Espídola, e agora assinando como Alzira E, a artista está ao centro do documentário Aquilo que nunca perdi, de Marina Thomé, que com inigualável energia traz um retrato pungente de uma artista transgressora que o Brasil talvez nunca tenha valorizado o quanto merece.
 
Partindo de um vasto material de arquivo, mas também de entrevistas inéditas e exclusivas, além de shows e outras apresentações, o documentário registra a importância da artista no cenário cultural brasileiro. Transitando por diversos gêneros, atualmente Alzira toca baixo numa banda de rock, chamada Corte, em São Paulo, onde se estabeleceu no final dos anos de 1970 com seus filhos e filhas.
 
Thomé constrói um documentário que dá conta do perfil da artista. As apresentações são cheias de energia, brilho, cor e vibração. Bem filmados, os shows são contagiantes, e a presença no palco é tão reveladora quanto as entrevistas e o regaste do passado e da história da família, que também inclui a também cantora Tetê Espíndola.
 
Outra qualidade do documentário é ser capaz de dialogar com um público mais amplo para além apenas dos fãs de Alzira E. Situando-a no tempo e espaço, e, assim, destacando sua importância para nossa cultura, ressaltando também sua parceria com figuras como Ney Matogrosso, Arrigo Barnabé, Almir Sater, Alice Ruiz e Itamar Assumpção.
 
É também um filme de afetos, a começar da diretora com sua biografada – a quem conhece há mais de 15 anos. Mas também o carinho da artista com sua família, e, acima de tudo, com sua arte. Em momentos de obscurantismo político e cultural, e ataques despudorados às mulheres, no Brasil, exaltar uma figura como Alzira E é destacar a força criadora e resiliência da mulher.
 
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