Gero Camilo estreia na direção de longas com este filme que parte de sua peça homônima, inicialmente encenada em 2004. Para a versão cinematográfica, ele traz novamente à cena seu colega da primeira montagem, Marat Descartes. Filmado num galpão, o longa é uma espécie de experiência complementar da peça, remetendo ao teatro, mas também com elementos cinematográficos.
Camilo interpreta Levi, aspirante a poeta, enquanto seu amigo Elias (Descartes) quer ser crítico literário. Eles têm 17 anos e compartilham o sonho de abandonar a pequena cidade do interior onde moram, um lugar opressivo e conservador.
Como diretor, Camilo investe na magia do texto, transitando entre o realismo e a fantasia, usando o galpão como um grande palco onde se dá a ação. É especialmente bonita a fotografia de Marcelo Trotta, que faz um jogo de luz e movimento de câmera, trazendo dinamismo à encenação.
Conhecedores do texto e dos personagens de longa data, os dois atores dominam a cena em interpretações que nunca estão díspares ou em disputa. O equilíbrio entre eles traz a força ao filme que, embora modesto em sua encenação, é repleto de coração.
