04/07/2026
Drama

A mãe

Mãe solteira, Maria cria sozinha o único filho, o jovem Valdo. Garoto alegre, ele sai com um amigo e desaparece. Maria percorre as ruas e a delegacia, mas não encontra notícias do filho. Aos poucos, suspeita de uma tragédia.

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Gaúcho radicado há muito em São Paulo, o diretor Cristiano Burlan tem pautado sua cinematografia por documentários pessoais, familiares, em torno de tragédias de sua vida - caso dos premiados Mataram meu irmão e Elegia de um Crime, parte de sua chamada Trilogia do Luto, em que se aproxima dos assassinatos de seu irmão (em 2001) e de sua mãe (em 2017). Vencedor de três prêmios em Gramado, A Mãe, protagonizado por uma sempre esplêndida Marcélia Cartaxo, ficcionaliza uma saga que Burlan conhece muito bem - a luta de uma mãe trabalhadora e pobre, na periferia leste de São Paulo, buscado saber o que aconteceu com seu filho adolescente, Valdo (Dunstin Farias), que desapareceu. 
 
A questão não é tanto saber o destino com o rapaz - o que se intui desde o começo e o filme esclarece no final - mas sim clarificar esse processo angustiante de mães à procura dos filhos desaparecidos, uma tragédia brasileira que vem desde a ditadura militar 1964-1985, evocada, aliás, por uma brilhante sequência com a participação da sempre mítica Helena Ignez.
 
Fazer essa ponte com o passado recente e também com um presente insistentemente trágico - com a referência às Mães de Maio, grupo contra a violência de Estado atuante em S. Paulo - é a grande qualidade do filme, que conta com participações femininas da maior grandeza. É o caso não só de Marcélia (vencedora de seu segundo Kikito por este trabalho) e Helena, mas também de Débora Silva (integrante das Mães de Maio que foi premiada no Festival de Málaga como coadjuvante), Tuna Dwek, Mawusi Tulani e Anna Carolina Marinho.
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