04/07/2026
Drama

Passagem

Depois de ser ferida com uma bomba no Afeganistão, sofrendo hemorragia cerebral, Lynsey volta à casa de sua mãe em Nova Orleans, tentando se recuperar física e emocionalmente. Apesar de tudo, seu grande desejo é voltar à ativa.

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Em Passagem, Jennifer Lawrence volta às suas origens indies nesse drama dirigido pela premiada diretora de teatro Lila Neugebauer, que estreia no cinema. A atriz interpreta Lynsey, uma militar que volta para casa, em Nova Orleans, com feridas emocionais e físicas. Aqui, Jennifer exibe uma de suas melhores performances, como não fazia há um bom tempo, numa personagem repleta de nuances.
 
Lynsey é uma mulher que fala muito pouco. Ela não tem condições: quando seu carro foi atingido por uma bomba no Afeganistão, seu cérebro sofreu uma hemorragia e ela está se recuperando disso. Com o tempo, ela consegue voltar a falar e se locomover, pode sair da clínica e voltar para a casa da mãe. Mas, ainda, assim, ela está aos pedaços.
 
O roteiro, escrito pela romancista Ottessa Moshfegh, e Luke Goebel e Elizabeth Sanders, é construído em fogo brando. As informações sobre a protagonista vêm aos poucos. E Neugebauer estabelece o clima melancólico e reticente desde o começo, que se transforma na medida em que o filme avança – tal qual sua personagem. Na visita ao neurologista (Stephen McKinley Henderson),  ela diz, logo de cara, que quer voltar à ativa. Mas ela tem condições disso? Não.
 
Toda essa teimosia e obsessão em voltar ao conflito pode indicar que, na verdade, o trauma está aqui em casa, e não lá. De uma forma ou de outra, é preciso lidar com isso e parar de fugir o tempo todo. Lynsey encontra num mecânico local, James (Brian Tyree Henry, excelente, e cotado para uma indicação ao Oscar de coadjuvante), sua tábua de salvação, mas, como tudo na vida dela, só perceberá com o tempo. Ele também é um homem enfrentando seus problemas físicos e emocionais.
 
Neugebauer estreia como uma diretora sofisticada e segura de suas escolhas. Esse é um filme de poucas palavras, mas no qual, obviamente, o silencio diz muito. Lawrence volta ao mundo independente, o que faz lembrar sua performance impressionante de Inverno da alma – que rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Ela sempre foi uma grande atriz, mas estava um pouco acomodada em grandes projetos. Aqui, como sua personagem, volta às suas origens para se reencontrar.
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