Competindo à Palma de Ouro em Cannes 2022 com um policial encharcado de melodrama, Decisão de Partir, o sul-coreano Park Chan-Wook arrebatou um cobiçado prêmio de direção no festival francês.
A história segue as desventuras de um policial, Hae-jun (Park Hae-il), quando se põe a investigar as mortes em torno de uma misteriosa mulher, Seo-Hae (Tang Wei). Vista em Desejo e Perigo, de Ang Lee, a moça convence como a viúva fatal de plantão, inebriando o investigador casado com sua peculiar mistura entre fragilidade e astúcia.
O enredo, co-roteirizado pelo diretor, é um emaranhado de reviravoltas e novos desdobramentos em torno da moça, cujos segredos contrastam com a vida certinha de Hae-Jun. Sua mulher (Lee Jung-yun), obcecada pela ordem e a saúde, não deixa que ele fume e vive tentando encaixar sua vida em comum numa série de regras em que, em última análise, o marido vai sentindo-se cada vez mais desconfortável, ainda mais ao ser confrontado pelos mistérios da viúva.
Tendo a seu crédito filmes como A Criada (2016), Lady Vingança (2005), Sede de Sangue (2009) e Oldboy (2003), todos com uma assinatura visual muito intensa e precisa, o cineasta sul-coreano sabe como poucos criar estes mundos complexos em que os personagens vão sendo comandados por seus desejos e pulsões, arrastados por um certo fatalismo a sucumbir a suas emoções. Não é diferente aqui e a história conta certamente com uma musa que dá conta de sua missão na narrativa. Mas, por alguma razão de ritmo, sobretudo, o filme não é tão sedutor quanto seus filmes anteriores, embora não lhe faltem qualidades, particularmente na esfera visual, na fotografia assinada por Kim Ji-yong e na montagem de Kim Sang-beom.
