A lista do elenco da comédia Casamento em Família engana bem. Um filme com Diane Keaton, Susan Sarandon, Richard Gere e William H. Macy, num primeiro momento, parece que não tem como dar errado. Mas deu, e muito. Escrito e dirigido pelo veterano da televisão Michael Jacobs, que estreia no cinema, o longa é insuportável, seja em suas observações sobre os relacionamentos amorosos ou suas tentativas de ser engraçado.
Não há elenco bom que salve essa história empoeirada e descabida. A intenção é comentar sobre casamentos recentes e de longa data – juntos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, ou seja lá o que isso tudo for. Partindo de uma peça de teatro, Jacobs não consegue evitar as armadilhas teatrais, especialmente trabalhando com um texto verborrágico, improvável e não muito bom.
O elenco, que já trabalhou junto em filmes melhores, está num piloto automático sem direção. Cada um parece estar num longa diferente, seus tons de atuação respondem apenas aos seus interesses próprios. Errados não estão, uma vez que Jacobs é incapaz de trazer unidade para o filme. A melhor pessoa aqui – no caso, a menos insuportável- é Sarandon, no papel de Monica, uma futura sogra venenosa. Caricata, a atriz é a única que não leva essa bobagem toda a sério.
Ela tem um caso com Howard (Gere), que já não está tão interessado nela. Ela não sabe, mas ele é o pai da namorada do seu filho. O jovem casal, Allen (Luke Bracey) e Michelle (Emma Roberts), está em crise, pois ele não quer se casar, e ela está doida para dizer o Sim, no altar.
Do outro lado da história, Grace (Diane Keaton), mulher de Howard, conhece Sam (William H. Macy), por acaso num cinema. Ele chora sem parar, ela fica com pena, e senta-se ao lado dele. Os dois estão sozinhos, e decidem ir a um motel. Eles não sabem, mas ela é a mãe de Michelle, e ele, o pai de Allen. Tudo virá à tona num jantar, quando os dois casais veteranos serão apresentados uns aos outros pelos filhos, que estão tentando ficar juntos novamente.
Fora as coincidências absurdas, Casamento em família é incapaz de aproveitar o timing cômico de seu elenco. Keaton, por exemplo, faz uma espécie de fanática religiosa que sempre encontra frases motivacionais – e isso, de certa forma é postivo no filme. O tom do filme, num todo, é bastante conservador – pois mesmo estando juntos na cama, Monica e Howard, e Grace e Sam, nunca chegam aos finalmentes. Jacobs preza pela família e a religião – há a tentação da traição, mas isso nunca se concretiza, pelo bem do sacrossanto matrimônio.
O filme não nega suas origens teatrais, com uma direção preguiçosa confinada a poucos cenários, falatório sem fim, o fotografia ruim, e nada que justifique sua transposição para o cinema. Nem a presença do elenco de peso.
