Adonis Creed, tal qual Rocky Balboa, sempre está de volta – embora Rocky não esteja no terceiro filme do spin-off da franquia. Como seu mentor e ex-treinador, o jovem lutador enfrenta fantasmas do passado para seguir em frente. Esse é o moto da saga, enfrentar seus fantasmas na base da pancada – literalmente. Assim como conquistar o sonho americano, também distribuindo socos.
Além de protagonizar Creed III, Michael B. Jordan estreia na direção, num filme com altos e baixos, uma pendência para momentos um tanto cafonas, e um roteiro meio sem rumo, insistindo num personagem estacionado no mesmo ponto. O primeiro Creed, de 2015, era mais interessante por apresentar o personagem do zero, filho bastardo de Apolo Creed – ex-rival e amigo de Rocky, que foi morto no ringue pelo russo Ivan Drago. Ele é adotado pela viúva (Phylicia Rashad) do pai, e treinado por Rocky (Sylvester Stallone), e se torna um campeão mundial.
O filme começa aqui com um prólogo sobre sua juventude e um fato que irá reverberar no presente, quando faz sua última luta para manter o cinturão mundial, aposenta-se e parece viver de rendas com sua mulher, Bianca (Tessa Thompson), uma cantora e produtora musical, e a filha pequena deles, Amara (Mila Davis-Kent). Já o passado bate à porta na figura de Damian Anderson, interpretado no presente Jonathan Majors.
Anderson, amigo de juventude de Creed, foi preso quando os dois estavam juntos e cumpriu pena. Agora, juntos novamente, prometem não se separar mais. Há um enorme sentimento de culpa do protagonista frente ao amigo, até que se tornam rivais. Anderson desafia Creed, que irá levar ao inevitável clímax da série num ringue.
O caminho para chegar lá é tortuoso e repetitivo. O gênero de filme de boxe não tem muita variação, é sempre a mesma história com alguma ou outra mudança, até o inevitável grande embate final. Creed III dá sinais de cansaço da franquia, girando em falso boa parte do tempo sem ter para onde ir. Rocky, a franquia que nunca morre, precisou ceder o protagonismo para outro personagem pois chegara no limite.
O problema aqui é que não existe um personagem a construir, a trazer novidades, seu arco parece já estar completo. Há apenas a manutenção. É bem verdade que este é melhor que Creed II, de 2019, no qual Adonis enfrentava o filho de Ivan Drago, num plot estapafúrdio que mais parecia estar na Guerra Fria. Aqui, a trama é um pouco melhor, mas não foge daquilo de sempre, porrada, suor e sangue. Há momentos, em câmera lenta, um tanto desnecessários e bregas mesmo.
O maior ganho em Creed III está na figura de Amara, filha deficiente auditiva do protagonista, que mostra um comportamento parecido com o do pai quando criança – resolver os problemas na escola dando socos. Se a franquia caminhar para onde sinaliza no final, aí sim pode vir algo novo, trazendo algum fôlego à série e seus derivados.
