04/07/2026
Drama

Além de nós

No mesmo dia em que perde seu emprego de peão de fazenda, Leo testemunha a morte de seu pai. Ao lado de seu tio, Artur, vai realizar o último desejo do falecido, o que os leva a uma viagem ao Rio de Janeiro.

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O gaúcho Além de nós, de Rogério Rodrigues, é um road movie curioso, contando a história de um tio e um sobrinho que viajam de um pequeno vilarejo no sul do Brasil ao Rio de Janeiro. Mas a viagem nem é pelo caminho mais curto, nem de forma contínua. Como em qualquer filme do gênero, importa mais a jornada do que a chegada.
 
Leo (Miguel Coelho) tem uns vinte e poucos anos e nunca saiu de sua cidade. Ele é um peão de fazenda, cuja vida é radicalmente transformada num mesmo dia, quando é mandado embora e seu pai (Clemente Viscaíno) morre, trazendo-lhe um sentimento de culpa por ser testemunha da morte.
 
O pai deixou um último pedido: que uma foto com Getúlio Vargas seja deixada nas escadarias do Palácio do Catete. É um arroubo de patriotismo inusitado a essa altura do campeonato, mas último pedido de morto não se questiona. Com seu tio, Artur (Thiago Lacerda), Leo vai viajar até a antiga capital federal.
 
Custa um pouco para que a dupla e o filme caiam na estrada, mas aí Além de nós se encontra. Eles saem de moto, mas uma série de eventos inesperados transforma a viagem. A moto é roubada, eles pegam carona, mas essas pessoas não vão ao mesmo destino que eles, então descem no meio do caminho, pegam carona novamente e assim vai.
 
É uma estratégia interessante do roteiro escrito pelo diretor e Romir Rodrigues e Ulisses da Motta, que sempre coloca um novo obstáculo para a dupla chegar ao Rio de Janeiro. Fora isso, no entanto, é um filme que não parece muito atento ao seu redor. As belas paisagens servem apenas de moldura à ação, forçando apenas uma transformação pouco orgânica nos personagens à medida que se afastam do sul profundo. Aos poucos, deixam de lado uma espécie de identidade gaúcha – marcada em especial pela indumentária típica, que vai sendo perdida ao longo do trajeto.
 
Os personagens, mesmo a dupla central, parecem mais veicular uma ideia do que serem exatamente humanos de uma forma complexa. Um novo gauchismo em transformação, em sintonia com o presente, e os avanços tecnológicos e afins estão no cerne de Leo e Artur. Os coadjuvantes que cruzam o caminho da dupla têm menos ainda o que dizer. Às vezes, são apenas mera desculpa para o avanço no caminho, como a dupla que dá carona assim que a moto é roubada.
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