04/07/2026
Drama

Air - A história por trás do logo

Em 1984, amargando o terceiro lugar entre os fabricantes de tênis esportivos e com uma reduzida verba de marketing, a Nike sonha em conquistar um esportista campeão para projetar sua marca. Seu funcionário, Sonny Vaccaro, quer gastar toda a verba de marketing num único nome: o principiante Michael Jordan. Mas o caminho até ele não será nada fácil.

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Dramas corporativos, por mais que atraiam patrocinadores, são um grande risco, porque nem sempre conseguem criar empatia por seus protagonistas e sua linha de ação. Dito isso, Air: A História por Trás do Logo, de Ben Affleck, pode considerar-se uma notável exceção à regra, proporcionando um filme que tem grandes atrativos no aspecto humano que ampara sua dinâmica dramática - inclusive porque há vários bons atores para sustentar isso.
 
O ano é 1984. A Nike tenta cavar seu espaço num mercado de tênis esportivos dominado pela gigante alemã Adidas e pela concorrente norte-americana Converse, amargando o terceiro lugar. Nos quadros da empresa do excêntrico Phil Knight (Affleck), um funcionário, Sonny Vaccaro (Matt Damon), percorre todos os campeonatos juvenis possíveis, na caça aos jovens talentos do basquete que possam merecer as limitadas verbas de investimento de publicidade da Nike.
 
Gordinho, nada ligado em exercícios, Sonny não parece a pessoa mais adequada do mundo a essa função. Mas é um engano: ele tem olho clínico para identificar bons atletas e aconselhar o destino dos investimentos do marketing, comandado por Rob Strasser (Jason Bateman). 
 
Naquela época, Michael Jordan não passava de um iniciante, mas não um iniciante qualquer. Suas jogadas chamavam a atenção e todas as fabricantes de tênis queriam ganhar o direito de calçar o garoto, cujo futuro brilhante não era assim tão difícil de prever. Mesmo sem ter o mesmo cacife e as verbas das seus poderosos concorrentes, Sonny decide sugerir uma jogada ousada: tenta convencer seus chefes a investir todo seu orçamento de marketing, que deveria ser dividido entre três atletas, apenas e unicamente em Jordan.
 
Como até as pedras hoje sabem no que se transformarão em breve Jordan e a Nike, fica fácil empatizar com Sonny e sua intuição, quase 40 anos atrás. Apesar disso, o roteiro de Alex Convery consegue criar suspense em torno das inúmeras reviravoltas que levarão à vitória da Nike, criando espaço para o público compartilhar dos riscos envolvidos em cada manobra que levou ao bom resultado. 
 
O próprio Jordan - que aparece em imagens reais e, em algumas cenas, interpretado por Damian D. Young - não queria nem ouvir falar da Nike. Seu agente, David Falk (Chris Messina), menos ainda. Assim, a história progride mostrando o jogo de cintura de Sonny para contornar esses obstáculos e chegar à pessoa que tem definitiva influência sobre Jordan - sua mãe, Deloris (Viola Davis).
 
O filme cresce tremendamente quando a atriz entra em cena e exibe a inteligência de sua personagem na condução das negociações com as empresas que disputam seu filho, humanizando situações comerciais que, se retratadas de outra forma, poderiam tornar-se extremamente tediosas. A franqueza de Deloris e Sonny é o grande trunfo do filme, que extrai seu humor da bizarrice dos hábitos e figurinos de Phil Knight e entrega detalhes saborosos na própria criação do tênis Air Jordan vermelho, de autoria do designer Peter Moore (Matthew Maher).
 
Outros personagens, evidentemente, fazem parte deste espinhoso caminho até a vitória da Nike e de Michael Jordan - especialmente na inovação de uma cláusula contratual pioneira criada por sua mãe. E o fato de que sejam, em sua maioria, interpretados por atores tão singulares como Barbara Sukowa - na pele da herdeira da Adidas -, fornece um sabor adicional ao filme, que o eleva da mesmice, tornando-o um programa até agradável. Mesmo para quem não tem o mínimo interesse nas jogadas marqueteiras do mundo empresarial.
 
Tudo isso, é claro, é mérito do diretor Ben Affleck e sua boa mão na liderança, mais uma vez em parceria com o amigo de adolescência Matt Damon - essa aliança profissional dos dois, que começou com Gênio Indomável (1997), roteiro dos dois que levou um Oscar, aliás, continua rendendo bons frutos.
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