Campeões é, obviamente, repleto de boas intenções – especialmente por colocar em cena atores e atrizes com Síndrome de Down ou com deficiências intelectuais, como diz o próprio filme. É uma pena, no entanto, que eles e elas não tenham protagonismo ou mais destaque, tornando-se meros coadjuvantes, geralmente, cômicos, na história de um homem branco que se precisa tornar-se uma pessoa melhor. Ou seja, é um filme que se encaixaria muito bem nos anos de 1990 – hoje soa empoeirado.
Woody Harrelson, no caso, é o homem branco que sabe enterrar. Ele interpreta Marcus, um assistente de técnico de basquete de um time de uma liga baixa. Seu sonho é trabalhar na NBA, mas isso fica ainda mais longe quando tem um atrito com seu superior (Ernie Hudson), durante um jogo. Isso é filmado e se torna viral. Ele perde o emprego. Pior ainda, embriagado, bate num carro de polícia, acaba preso e, julgado, acaba condenado a prestar serviços comunitários, ao invés de 18 meses na prisão.
Sua pena é treinar um time local composto por jovens com deficiência intectual que se prepara para as Olimpíadas Especiais. Todos são péssimos jogadores, têm dificuldades de concentração e pouco preparo físico. Quando os conhece, Marcus se desespera, pensando que não conseguirá nada com o time. O único jogador que tem talento, Darius (Joshua Felder), por algum motivo misterioso, recusa-se a ser treinado por ele.
O time, chamado Amigos, é composto por uma dezena de jogadores não tem exatamente individualidade na tela. Excetuando Darius e mais uns dois membros, a equipe é marcada pelo coletivo responsável por momentos cômicos do filme. Como Craig (Matthew Von Der Ahe), que tem duas namoradas, ou Cosentino (Madison Tevlin), uma garota cheia de garra e marra. Os outros estão ali batendo bola e pronto.
Quem se destaca é Johnny (Kevin Iannucci), que tem Síndrome de Down e sonha em morar na residência comunitária com os outros colegas, mas sua irmã mais velha, Alex (Kaitlin Olson), é apegada demais a ele e ele não quer decepcioná-la. Alex, uma atriz que vive de bicos, tem uma van e leva os jogadores em suas viagens, e acaba se envolvendo com Marcus.
Dirigido por Bobby Farrelly,e inspirado no homônimo espanhol de 2018, Campeões não tem muito de novo ou a acrescentar. Se, ao invés de Harrelson fazendo a mesma coisa de sempre, os coadjuvantes ganhassem o protagonismo, aí sim seria um filme vencedor.
