04/07/2026
Drama

O último ônibus

Após a morte de sua esposa, Tom, mesmo como dificuldades de locomoção, resolve refazer uma viagem que fizeram na juventude. Saindo do norte da Escócia, ele ruma ao sul da Inglaterra, apenas usando ônibus locais.

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Não há a menor dúvida de que Timothy Spall é um dos grandes atores de sua geração – especialmente nos filmes de Mike Leigh, o que não é exatamente o caso de O último ônibus dirigido pelo veterano inglês Gillies MacKinnon. Spall interpreta Tom, um idoso viúvo que atravessa a Inglaterra de ônibus em ônibus, refazendo a viagem que, na juventude, fez com sua esposa.
 
Ele vivia com a mulher (Phyllis Logan) em John o’Groats, próximo ao extremo norte da Escócia, mas na juventude, eles moravam em Land’s End, extremo sul da Inglaterra, de onde se mudaram após uma tragédia pessoal. A ideia era ficar bem longe desse lugar que trazia más recordações. Por meio de flashbacks pouco criativos, vemos o que aconteceu com o casal – interpretado por Natalie Mitson e Ben Ewing – no passado.
 
Agora, mesmo doente, Tom pretende refazer a viagem, inclusive se hospedando nos mesmos lugares onde ficou com a mulher – de preferência, nos mesmos quartos. É uma surpresa, ou uma manobra de roteiro, que esses lugares ainda existam. A jornada levará dias, com diversos ônibus e pessoas novas que cruzam o seu caminho. É quase uma versão live action de Up – Altas Aventuras, mas sem o colorido, a ternura ou a criatividade da animação.
 
Tudo aqui é meio burocrático e previsível. O diretor e o roteirista Joe Ainsworth lançam olhares sobre a Inglaterra contemporânea multicultural – e também mostram, pelo caminho, a intolerância a isso. O problema é que esses personagens que Tom conhece são rasos, apenas estereótipos que não dão muito conta da condição humana eles. A mulher muçulmana que sofre ataque racista no ônibus e é defendida pelo protagonista é apenas uma desculpa para se dizer que há racismo na Inglaterra – até aí ,nada de novo.
 
Nem mesmo Tom, o personagem central, é desenvolvido para além dos elementos necessários para compor o filme. O último ônibus poderia ser a história de uma jornada emocionante e comovente, mas não é. É um longa repleto de boas intenções, mas ingênuo até a medula e sem muita noção da realidade. O resultado é um tanto enfadonho e até mesmo frio. Não por culpa de Spall.
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