Em 1945, próximo do final da Segunda Guerra, pouco antes da libertação do campo de concentração Belsen, pelos ingleses, os soldados nazistas colocaram vários judeus em trens sem dizer para onde iam. Essas pessoas eram conhecidas como “judeus de troca”, que seriam usados para extorquir dinheiro ou libertar prisioneiros nazistas. Duas dessas composições foram interceptadas e libertas por americanos e russos, a terceira, foi abandonada pelos soldados nazistas, próxima à cidade de Tröbitz, deixando à própria sorte as mais de 2000 pessoas que viajavam ali.
Três mulheres: Uma esperança é a história de três pessoas envolvidas nesse episódio, vivendo numa espécie de campo de refugiados que se organizou ali. Vera (Eugénie Anselin), atiradora do exército russo, deve ficar na casa de Winnie (Anna Bachmann) e vigiá-la, pois ela pode ser uma traidora. A terceira protagonista é Simone (Hanna van Vliet), judia holandesa, em companhia de seu marido, Isaac (Bram Suijker).
Escrito e dirigido por Saskia Diesing, a produção holandesa traz uma perspectiva pouco explorada nos filmes de Segunda Guerra: o ponto de vista feminino. Cada uma das três mulheres do título está numa posição diferente, mas, ainda assim, compartilham a consciência da opressão que há em comum em todas elas – a opressão de gênero – e, a partir da sororidade, estabelecem uma relação de amizade e cumplicidade com o passar do tempo.
Embora repleto de boas intenções, o filme não foge dos clichês e das obviedades do tema, infelizmente. O exagero da trilha sonora onipresente é uma das coisas que mais incomodam. Mesmo quando a situação já é dramaticamente forte, Diesing insiste na música para dar o tom. São poucos os momentos de absoluto silêncio em Três mulheres: Uma esperança – o que é uma pena, pois é um filme no qual o silêncio falaria alto.
