02/07/2026
Drama Biografia

A sociedade da neve

Um time uruguaio de jovens jogadores de rugby está em viagem para uma partida no Chile. Porém, o avião se espatifa numa região remota da Cordilheira dos Andes. Por semanas à espera de resgate, eles farão de tudo para sobreviver.

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Em 1972, um avião uruguaio caiu numa região remota dos Andes. Nele estavam um time de rugby, além de amigos e familiares dos jogadores. Apenas 16 pessoas sobreviveram, durante os 72 dias que esperaram o resgate, enquanto 29 morreram. Esse acontecimento já foi tema de diversas produções, desde livros a série e filmes (entre eles, o americano Vivos, de 1993). Em A sociedade da neve, o espanhol J. A. Bayona resolve recontar a história agora com um elenco que fala espanhol, fazendo assim mais justiça aos personagens e sua trajetória.  

Como bem conhecida é a história, os sobreviventes enfrentaram condições subumanas, enquanto tentavam fazer contato com algum resgate. Passaram frio, dores e, talvez o fato mais conhecido (e controverso) do episódio, a certa altura, tiveram de se alimentar dos corpos das pessoas que morreram. Era o único alimento existente.

Bayona lida com esses elementos sem cair no sensacionalismo, de forma, até onde pode, sutil, sem transformar esses momentos em qualquer tipo de espetáculo. Há algum debate (ético, moral e religioso) por parte dos sobreviventes, sobre o que estão prestes a fazer, mas como o desfecho da história já é bem conhecido, sabemos o que fizeram. Por outro lado, é impressionante como o diretor se deixa guiar por um sentimentalismo barato na reta final. 

A história é, por si mesma, sentimental. Passamos o tempo todo com os sobreviventes presos na neve, sem saber muito bem o que fazer. Com todo o equipamento do avião destruído, eles tentam consertar o rádio para fazer contato. Conseguem, ao menos, usar o rádio para ouvir notícias, e descobrem que existem equipes em busca deles, até que, tempos depois, as buscas são encerradas e todos são dados como mortos.

Bayona, que assina o roteiro com Nicolás Casariego, Jaime Marques e Bernat Vilaplana, a partir do livro de Pablo Vierci, é capaz de criar personagens marcantes, pessoas humanas, e não tipos que representem emoções ou posições diante do desastre e das dificuldades que enfrentam. Ao contrário do livro, contado pelos 16 sobreviventes, o filme traz uma dimensão metafísica ao trazer também as vozes das vítimas como narradoras.

Ajuda também o fato de ter um elenco bastante bom, liderado por Enzo Vogrincic, que interpreta Numa Turcatti, uma espécie de centro de consciência e bússola moral da narrativa. Já no plano técnico, o filme é impressionante, especialmente na cena do desastre, que culmina na morte da pequena tripulação do voo e diversos passageiros. O que segue a partir dai, mais do que uma história de sobrevivência, é um relato de espera. Uma espera incerta e marcada por novos desafios. Novamente, a cena de uma avalanche é impressionante por seu realismo. O filme foi escolhido para representar a Espanha na disputa de uma indicação ao Oscar do próximo ano, e tem diversos dos elementos que costumam agradar à premiação. 

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