03/07/2026
Romance Drama

Horizonte

Após a morte de seu irmão, com quem dividia o quintal, Ruy é hostilizado pelo sobrinho que herda a casa, e acaba descobrindo uma vila, fundada por uma ONG, onde só moram idosos, e lá tentará recomeçar sua vida.

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Estreando na direção de longas, o também ator Rafael Calomeni dá protagonismo a uma faixa etária meio esquecida pelo cinema brasileiro, ao menos nos papéis centrais: pessoas com mais de 70 anos. Horizonte traz, ao seu centro, Ruy (Raymundo de Souza), um homem solitário que vive numa pequena casa nos fundos do quintal do irmão, mas, quando este morre, e a família reivindica sua herança, a sua vida se transforma. 

O filme começa com um longo plano reunindo a família após o enterro no quintal da casa. Ruy praticamente não fala, apenas ouve o sobrinho (Ronan Horta), cheio de mágoas que quer ficar com a casa para ele e sua mulher (Alexandra Richter, excelente em cena) e a filha adolescente (Pérola Faria). O herdeiro não se importa nem com seu filho mais velho, Júnior (Arthur de Farah), que teve antes de se casar, e vivia com o avô. A única amiga do protagonista é a vizinha, interpretada por Suely Franco. 

Após essa sequencia da, digamos, divisão dos bens, fica decidido que Ruy continua morando no quintal, mas não deverá dirigir a palavra a qualquer pessoa da outra casa, e Júnior irá morar com ele. O roteiro de Dostoiewski Champangnatte estabelece uma grande tensão nessa primeira parte, na convivência, no mesmo quintal, de pessoas que não mantêm um relacionamento amigável.

A narrativa se transforma quando Ruy descobre a existência de uma espécie de conjunto habitacional criado para idosos por uma ONG. Lá, cada pessoa terá uma casa já mobiliada, e viverá com pessoas da mesma faixa etária. Nesse momento, Horizonte dissipa tudo o que construiu até então. O filme perde seu conflito, sua trama fica insossa com a mudança do protagonista para esse lugar, onde, até o momento, ele é o único morador. 

A chegada de uma nova vizinha não ajuda a melhorar muito o longa. Jandira (Ana Rosa) se muda para casa em frente a Ruy, e, estranhamente, são os únicos moradores ali. Já é bom adiantar que não há, no filme, nenhuma reviravolta do tipo “aquele conjunto habitacional não é o que parece”. É, sim, exatamente o que parece, como tudo aqui. Não há muitas sutilezas, nem surpresas.

Os acontecimentos são previsíveis, mas isso não seria um grande problema se houvesse um apuro estético ou alguma ousadia formal. Horizonte segue os ditames do realismo televisivo sem qualquer surpresa. Ou talvez a única surpresa seja mesmo a quantidade de vezes que o clássico da MPB Boneca Cobiçada seja repetida aqui – uma infinidade.  

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