02/07/2026
Drama Fantasia

Lilith

Lilith foi a primeira mulher da Terra, criada antes mesmo de Eva, para viver com Adão. Porém, ela se recusa a aceitar a posição inferior, e demanda igualdade, rebelando-se e se isolando no deserto. Nos cinemas.

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A primeira mulher de Adão, como se sabe, não foi Eva, mas Lilith, uma figura que se tornou maldita ao se rebelar contra a, digamos, opressão que sofria no Paraíso. Com o passar dos anos, essa figura polêmica foi ganhando novos significados, e chega ao filme Lilith, do brasileiro Bruno Safadi como um símbolo não apenas da rebeldia, mas, acima de tudo, demandando direitos iguais. 

Interpretada pela portuguesa Isabél Zuua, essa Lilith é uma figura imponente que se equipara a Adão (Renato Góes), um sujeito repleto de dúvidas e inseguranças, talvez nem esteja pronto ou disposto a cumprir seu papel de primeiro homem. No roteiro escrito por Safadi, Vera Egito e Fábio Andrade, a dualidade homem e mulher, dia e noite, Sol e Lua marca, entre outras simbologias, o movimento da narrativa. 

A natureza é, também, uma figura central aqui. Tudo o que cerca Adão e Lilith, os primeiros humanos de uma terra desabitada, agrega valores e significados ao filme. Dos embates entre as duas figuras nasce uma espécie de duplo dela, Eva (Nash Laila), uma figura mais dúbia do que normalmente é concebida, que é capaz de transitar entre os dois personagens. 

Por mais que Adão seja o mais famoso, aqui o filme traz ao centro o feminino, com Lilith e Eva, duas mulheres capazes de se unir, num sentido de sororidade, em busca da igualdade de gênero. Nesse sentido, é um longa extremamente contemporâneo ao discutir papeis de gênero e as possibilidades e caminhos para equiparidade. 

Com uma bela fotografia de Lucas Barbi, destacando a beleza natural do ambiente, o filme encontra sua força na figura e na presença de Isabél Zuua, uma grande atriz que traz a Lilith uma enorme dose de dignidade e, também, de rebeldia. Apesar do ótimo elenco enxuto, não há dúvidas de que o filme é dela, reescrevendo um mito, apropriando-o para si, e trazendo-o a luz de nosso tempo.  

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