03/07/2026
Documentário Drama

O Estranho

Funcionária do departamento de bagagens do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), Alê guarda uma série de memórias que identificam o passado daquele lugar - onde se acumulam sinais da passagem de populações indígenas e outros vestígios agora ocultos. Na Filmicca.

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Exibido na mostra Fórum em Berlim 2023, o longa O Estranho, de Flora Dias e Juruna Mallon, uma coprodução com a França, elege como cenário deflagrador o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, num filme que põe em foco os deslocamentos humanos e os sinais que se acumulam das transformações urbanas e históricas enquanto as pessoas passam.

A personagem que dá o gatilho ao enredo é Alê (Larissa Siqueira), funcionária do setor de transporte de malas do aeroporto, que é portadora de uma série de memórias em torno daquele lugar onde ele foi construído. Este centro de chegadas e partidas, que ainda guarda um resquício de mata nos seus arredores, tem em seu passado uma série de ocupações, de camadas de tempo, em que se acumulam vestígios de populações diversas, como os povos indígenas.

Tanto quanto o aeroporto, o filme é sobre trajetos de pessoas e a sobreposição de camadas de culturas que se somam, como num sambaqui,  contendo histórias que, no entanto, precisam ser decifradas, ditas, recuperadas. Por isso é importante que, numa narrativa que oscila entre os tons realista e confessional, o filme dê voz, num determinado momento, a personagens indígenas de várias nações, não se esquecendo de incluir uma menção à herança africana através da personagem Sílvia (Patrícia Saravy), namorada de Alê. No elenco, ainda se destacam Rômulo Braga, como um supervisor sindicalista, e Helena Albergaria, como uma estudiosa do local (a atriz fez também a preparação do elenco). 



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