O termo “teatro filmado” costuma ter um tom pejorativo, mas em O Diabo na Rua, no Meio do Redemunho, Bia Lessa subverte essa ideia, procurando na linguagem teatral um lado cinematográfico no sentido de compor uma experiência bastante particular nessa adaptação de Guimarães Rosa.
Grande Sertão: Veredas é marcado pela linguagem modernista de Rosa, que trabalha a partir do registro oral. No filme, Lessa parte de uma montagem teatral de sucesso para recriar na tela a trajetória do protagonista Riobaldo, a partir da experiência dela com esse mesmo texto no teatro. O resultado é um filme que, provavelmente, resultará em reações extremas. Possivelmente, é mais um “ame ou odeie”.
Riobaldo (Caio Blat) resgata suas experiências desde a juventude, narrando-as de maneira não-linear, sempre ao lado de Diadorim/Reinaldo (Luiza Lemmertz), um figura misteriosa que parece viver numa zona limítrofe entre o real e o imaginário. Há também a figura de Norinhá, interpretada por Luísa Arraes, que também faz o papel de Riobaldo jovem.
Lessa, experiente no teatro, brinca com a peculiaridade das duas formas, cinema e teatro, encenando a peça para a câmera, mas não apenas isso. Cinema, como se sabe, se constrói na montagem, e é nela que reside parte da força do longa. A construção da narrativa embaralhada oferece a possibilidade das diversas técnicas de montagem, fragmentando não apenas a narrativa, mas também o sujeito que habita o sertão – ambos são uma incógnita a ser desvendada.
