03/07/2026
Drama

Cidade; Campo

Vencedor do prêmio de direção para a diretora paulista Juliana Rojas na seção Encounters, da Berlinale 2024, o filme conta duas histórias com personagens em trânsito, numa busca que envolve deslocamentos, inclusive geográficos. Na Globoplay.

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Vencedor do prêmio de direção para a diretora paulista Juliana Rojas na seção Encounters, da Berlinale 2024, Cidade; Campo acompanha personagens em trânsito, numa busca que envolve deslocamentos, inclusive geográficos. Divide-se em duas histórias. Na primeira, Joana (a magnífica Fernanda Vianna, do grupo Galpão), sobrevivente da tragédia das barragens mineiras, muda-se para São Paulo, depois de perder sua casa, reconstruindo sua vida trabalhando no Diarex - um aplicativo para faxineiras. 

Assim como em Trabalhar Cansa (2012), seu filme codirigido com Marco Dutra, Juliana Rojas desenvolve uma crítica precisa ao fenômeno atual do trabalho precário, maquiado sob um marketing de modernidade e auto-empreendedorismo. Neste segmento, destaca-se também a atuação de Preta Ferreira.

No outro segmento, o foco recai sobre duas mulheres, Paula (Mirella Façanha) e sua parceira Mara (Bruna Linzmeyer), que se mudam para a pequena fazenda herdada do pai da primeira. Neste novo ambiente, elas pretendem manter a produção agrícola e a criação de animais. Mas estranhos fenômenos paranormais abalam seu cotidiano, levando Mara a querer abandonar o lugar.

Como em toda a sua obra, a partir de curtas como O Lençol Branco, Juliana manifesta uma predileção por inserir um toque fantástico em suas histórias carregadas de vários aspectos realistas - uma mistura que rendeu filmes tão diferentes quanto o excelente cômico-musical Sinfonia da Necrópole(2014) quanto o tenso A Passagem do Cometa (2017). É certo, também, que em Cidade; Campo esse fator se infiltra mais explicitamente na segunda do que na primeira história - exceto pelo fato de que Joana é perturbada de maneira mais sutil pelos fantasmas de sua cidade coberta pela lama das barragens. 

Em termos formais, há uma preferência por uma fotografia mais sombria, assinada por Alice Andrade Drummond e Cris Lyra. A montagem habilidosa da veterana Cristina Amaral não consegue encobrir, no entanto, a falta de um pouco mais de conexão da primeira com a segunda história - que se dá através de um único detalhe, que poderá passar despercebido por muitos. Isto confere ao filme uma certa fragilidade narrativa, apesar de suas inegáveis qualidades. 

No Festival de Gramado, o filme conquistou dois novos prêmios: melhor atriz para Fernanda Vianna e melhor filme para o júri da crítica. 

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